17 de novembro de 2019

Porque devemos fazer missões?

Porque bilhões precisam ouvir a Palavra de Deus. Observe que, segundo as estatísticas, o número de pessoas no mundo está aumentando numa proporção acima de 70.000.000 (setenta milhões) a cada ano. Menos que 3.000.000 (três milhões) delas estão sendo alcançadas pelo Evangelho.

Diariamente, morrem no mundo 119.000 (cento e dezenove mil) pessoas, 4.980 (quatro mil novecentos e oitenta) por hora, e 83 (oitenta e três) por minuto. Destas, 97%, ou seja, 115.430 (cento e quinze mil, quatrocentos e trinta) vão para o inferno.

Existem 16.810 (dezesseis mil, oitocentos e dez) povos étnicos e sociais perdidos, que ainda não ouviram falar em Jesus. Somente na África Meridional e África Central são 880 (oitocentos e oitenta) milhões de pessoas perdidas.

O mundo já ultrapassou os seis bilhões de habitantes. Destes, mais de um terço, ou seja, mais de dois bilhões de pessoas não ouviram falar de Jesus Cristo e estão fora de alcance do Evangelho.

Existem no mundo em torno de 56.000 (cinquenta e seis mil) missionários. Para que estes alcancem os bilhões de perdidos, é necessário que cada um evangelize 89.286 (oitenta e nove milhões, duzentos e oitenta e seis mil) pessoas. Isto não é preocupante?

E você, cristão, qual é a sua posição diante do “IDE” de Jesus Cristo?

SEM JESUS CRISTO AS PESSOAS ESTARÃO PERDIDAS

As pessoas não evangelizadas nunca ouvirão o Evangelho, a menos que você entre em ação para quebrar esta “...fome de ... ouvir as palavras do Senhor”, (Am 8.11). Mobilizando e treinando e enviando ganhadores de almas para irem lá onde os pecadores estão é a única solução para este dilema.

Milhares de cidades e aldeias da China e da Índia, ainda não têm quem lhes fale sobre Jesus Cristo. Lá, as pessoas vivem e morrem sem Jesus Cristo. Não porque elas O rejeitem, mas porque durante os 2.000 anos passados, nenhum cristão foi até lá para compartilhar com elas o Evangelho do amor de Jesus Cristo.

Um em cada 500 líderes de igreja dedica sua vida a alcançar as pessoas. Necessitamos de um reencaminhamento aos princípios adotados pelo Apóstolo Paulo: “E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio”, (Rm 15.20).


Paulo sempre ia “para anunciar o evangelho nos lugares que estão além ...” (II Co 10.16), lá onde as pessoas ainda não tinham ouvido sobre Jesus Cristo. Pedro também compreendeu que “o Senhor não retarda Sua promessa... não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”, (II Pe 3.9).

NÃO É VONTADE DE DEUS QUE OS HOMENS SE PERCAM

Eles se perdem porque não lhes temos ofertado o Evangelho. São deduzidos três pontos importantes:

1) A IGREJA DORME. As pessoas estão perdidas porque a Igreja, em sua grande maioria, está dormindo. O chamado é “acorda para a retidão...; “...o que dorme na sega é filho que envergonha”, (Pv 10.5).

2) É PECADO. É pecado as pessoas não saberem sobre Deus. Somos advertidos, “...não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus...”. Isto é um pecado de omissão. “Aquele pois que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”, (Tg 4.17).

3) É VERGONHOSO. Este fato é causa para vergonha. “... o que dorme na sega é filho que envergonha”, (Pv 10.5). O lamento aflito dos perdidos se elevam até o Céu, “passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos”, (Jr 8.20). Essa condição terrível existe porque são muito poucos os obreiros. “Rogai pois ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a Sua seara”, (Mt 9.38). Nós somos ganhadores de almas porque os obreiros são muito poucos.

4) POR CAUSA DA GRANDE INCUMBÊNCIA. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura”, (Mc 16.15). Todo o cristão é incumbido e chamado. “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação... segundo o seu próprio propósito e graça...” (II Tm 1.9). Todo cristão tem responsabilidade. A “Grande Incumbência” para executar e o “Chamado Santo” para testemunhar e servir, é a autoridade de todo cristão, dada por Deus para ministrar. Todo cristão tem três ministérios sacerdotais:
I. Ministrar ao Senhor em oração, louvor e adoração.
II. Ministrar uns aos outros com relação e apoio financeiro e espiritual.
III. Ministrar ao mundo (incrédulos) através da cura de enfermidade físicas e emocionais, expulsando demônios e lhes contando as boas novas, “...que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”, (I Co. 15.3,4).

Quando nós, cristãos, aprendemos a realizar esses três ministérios, assumiremos seus privilégios e responsabilidades dados por Deus e diremos: “...Eis-me aqui, envia-me a mim”, (Is. 6.8).

Jesus Cristo amou tanto o mundo, que morreu por ele. Grande parte da Igreja, indiferente, sofreu muito com conquista de Maomé, com as devastações do poderoso mongol Ghenghis Khan, com a espada manchada de sangue de Napoleão, com perseguição do comunismo e, atualmente, está sofrendo frente aos terríveis ataques das filosofias da Nova Era. Porém, frente a todas as dificuldades enfrentadas na história, a Igreja sempre avançou e agora não será diferente, porque estamos lutando numa guerra em que nosso Supremo Comandante Jesus Cristo já venceu por nós, lá no Calvário.

EXEMPLO A SER SEGUIDO

Os morávios oraram e agiram. Foram necessárias reuniões de orações durante vinte e quatro horas diárias, por mais de cem anos, para quebrar a ação mortal de indiferença da Igreja. Aquele ministério foi iniciado cerca de 250 anos atrás, através da influência de um pequeno conhecido e não muito considerado príncipe bavário, chamado Conde Van Zinzendort.

A Igreja Morávia, que foi creditada a ele como sendo o seu fundador, desenvolveu os primeiros - e, por muitos anos, os únicos - missionários evangélicos dos tempos modernos. Os morávios oravam com paixão pelas almas perdidas dos homens. Eles não oravam somente, eles agiam para levar o Evangelho até eles. Os morávios deram os melhores de seus jovens, para se tornarem soldados no exército do Senhor.

Dois daqueles jovens ouviram que numa ilha do Mar do Caribe, 40.000 africanos estavam presos, na mais abjeta escravidão. Ninguém era admitido na ilha, a não ser que fosse como um escravo. Os dois jovens morávios foram movidos pela compaixão daqueles escravos. Eles imaginaram que aqueles escravos morreriam com os seus pecados se eles não levassem o Evangelho até lá.

Então, os dois jovens morávios venderam-se como escravos para poderem alcançar aqueles africanos. Na medida em que eles navegavam do cais de Hamburgo, Alemanha, suas últimas palavras ecoaram através das marés do oceano: “Estamos indo ganhar para o Cordeiro, a recompensa do Seu sacrifício.” Estes jovens nunca mais foram vistos. Morreram como escravos naquela ilha, pregando o Evangelho da salvação. Quantas almas teriam eles ganho para Jesus Cristo? Saberemos somente na eternidade. Eles deram suas vidas porque acreditaram que pudessem ajudar a trazer o Rei de volta. Eles acreditavam que Jesus não pudesse voltar até que “...este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes.”

Se vamos aceitar TODA A GRANDE INCUMBÊNCIA e praticá-la, podemos ganhar o mundo para Cristo. Se rejeitarmos o poder do Espírito Santo e falharmos em dar a Ele o Seu legítimo lugar de Senhorio em nossas vidas e ministério, teremos muito poucos frutos.

“E disse-lhes (Jesus): Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer será condenado”, (Mc 16.15,16).

EV. GILSON MAZUI DEFERRARI
Evangelista, escritor e Secretário de Missões
Passo Fundo, RS
www.kurioseditora.com.br


13 de outubro de 2019

A obra missionária no Antigo e Novo Testamentos


A palavra missões vem do verbo latim “mito”, que significa “enviar”. No Novo Testamento a palavra é “aposteilo”, que tem o mesmo significado. Foi somente a partir do século XVI, que a palavra missão começou a ter significado na Igreja.

No Antigo Testamento

“Os profetas foram missionários de Deus. Quase todos eram itinerantes, levando a mensagem de Deus. Alguns saíam do reino do sul para profetizar nas terras do norte (I Reis 13). Outros iam para o estrangeiro, como Elizeu (II Reais 8.7), Jonas (Jonas 1.1-2), Ezequiel (Ezequiel 1.1), Daniel (Daniel 1.6). Também há diversos textos dirigidos às nações pelos profetas de Deus como vemos em Isaias 13.1, ISamuel  23.18, dirigindo-se a Babilônia,  Filistia, Moabe, Etiópia, Egito, Arábia e Tiro. O Profeta Jeremias escreveu para o Egito, Edom, Damasco, Quedar, Hazor, Elão e Outras Nações”.

No Novo Testamento

Em João 3.16, você lê: “Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou seu filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Através deste versículo, conhecemos a preocupação de Deus para com a humanidade decaída e distanciada de si. Razão pela qual enviou Jesus, o seu Filho ao mundo, para uma grande missão, salvar.

A missão de Jesus no mundo foi salvar o homem perdido, leia Lucas 19.10 e João 3.16, diz que Deus deu Jesus ao mundo. O verbo dar foi exatamente o que Deus fez, ofereceu seu Filho Amado para resgatar o homem que havia se afastado completamente Dele. Para se entender missões, é preciso partir deste princípio, que Deus deu seu Filho, e que o Próprio Filho se deu para a salvação dos homens perdidos, se compreendermos isso, podemos então dizer: missão é a obra de Deus, dada à Igreja, que seguindo o exemplo de Cristo, chamando todos ao arrependimento, e ter fé em Cristo, enviando-os a serem discípulos Dele.

E  assim como Jesus foi Enviado de Deus, Ele enviou seus Discípulos. Jesus disse em João 17.18: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”; “assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (João 20.21). Todos os seus discípulos foram enviados,  pois segundo a tradição cristã com base principalmente no historiador Eusébio de Cesárea (cerca de 260 a 340 d.C.) no seu segundo livro da história da igreja, é dito que: João, foi missionário na Ásia. Pedro foi missionário  em Ponto, Galácia,  Bitínia e Capadócia. André foi levar a Palavra de Deus na Cítia. Mateus, em outras nações após ter escrito o evangelho. Bartolomeu  foi missionário na Índia. Tomé foi pregar entre os partos (Irã, Iraque e Paquistão) , e certamente também chegou a Índia. Marcos foi ao  Egito e onde fundou a Igreja de Alexandria. Simão, o Zelote, foi missionário na Pérsia. Tiago, o Grande, na Espanha. Tiago, o Justo, na Arábia. Felipe foi missionário na Frígia.

Clói Marques Pereira - www.missaoaguaviva.com.br


9 de setembro de 2019

10 coisas que todo missionário ama


Hosana Seiffert e Anita Ribeiro

Fizemos uma rápida pesquisa para descobrir 10 coisas que os missionários amam. As respostas revelam um pouco do perfil da maioria dos missionários. Em geral, são pessoas desprendidas, altruistas, aventureiras, interessadas em outras culturas e com facilidade de adaptação.

Imagina morar em uma aldeia distante de um país remoto. Sem igreja, sem shopping, sem televisão. Com internet poucas horas por dia. Sem velhos amigos, sem festas de família, nem aniversário dos primos. Sem arroz com feijão, bife e batata frita… O que para muitos seria um fardo impossível de suportar, para um vocacionado é algo bem próximo à realidade, principalmente se ele estiver em um campo transcultural.

O que o faz se submeter a circunstâncias tão árduas? O que faz um missionário feliz?

Veja 10 coisas que todo missionário ama:

10) “Ganhar chocolate, café, farinha, queijo de minas…”

Ou seja, coisas do Brasil que não tem no campo transcultural. Afinal, saudade de casa faz parte da rotina missionária.

9) “Ouvir alguém falando português”

Chega uma hora que o “se nevasse aqui havia ski?” ou “o A tem som de U?” cansa, e o que o ouvido mais quer é nossa língua materna.

8) “Alguém mandar mensagem no meio do dia (ou da noite) dizendo que está orando por mim!”

 
E quem não gosta de ser lembrado em oração? É cada experiência que Deus fala…

7) “Me sentir parte do povo”

Para isso serve todo o preparo pré-campo, toda a imersão cultural, o aprendizado da língua, e demais esforços do missionário em se contextualizar. E, finalmente, falar como Paulo: "Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele", 1Co 9.19-23.

6) “Receber visita de equipes de viagens de curta duração”

Quem não ama compartilhar com a família e com os amigos suas lutas e conquistas? Ainda por cima receber ajuda para reduzir o peso do trabalho? Especialmente quando essa tropa chega com presentes, abraços, forças renovadas e muita disposição para o trabalho!

5) “Sinal de internet funcionando”

Se você, que tá em casa, gosta do seu sinal de internet, imagina o missionário lá longe que quer notícias da família; ou precisa enviar o informativo para o conselho de missões; ou simplesmente avisar que o conflito aconteceu longe da casa dele e está tudo bem? Internet funcionando é coisa linda de Deus!

4) “Retorno dos intercessores e amigos quando leem os relatórios que envio”

Ninguém merece aquela pessoa que visualiza, mas não responde, né?! Depois de horas preparando aquele informativo maneiro, cheio de fotos e novidades do campo, repleto de desafios e pedidos de oração, e a pessoa nem dá um retorno? Poxa… responde o missionário, irmão…

3) “Receber notícias dos amigos”

Após o missionário ir para o campo, algumas pessoas pensam que ele não está mais interessado na vida dos seus amigos. Nada mais longe da verdade. Quando um amigo conta as últimas novidades, ou fica horas no Skype conversando fiado e dando risada, ou simplesmente manda aquele meme maneiro, faz um bem imenso.

2) “Conhecer novas pessoas, lugares e culturas”

Isso deve ter a ver com o profundo desejo de ver o cumprimento da profecia de João: "Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas. E clamavam em alta voz: A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro”, Ap 7.9,10.

1)  “Fazer a vontade de Deus.”

Em primeiro lugar, disparado, está “fazer a vontade de Deus” ou “viver no centro da vontade de Deus”. Parece mesmo que a obediência em amor é o que move uma vocação missionária. Como disse o apóstolo Paulo, "o meu objetivo é satisfazer àquele que me arregimentou". Como você pode ver, o que faz um missionário feliz são coisas simples. Quem sabe você pode começar a se envolver enviando uma mensagem, depois prestando atenção aos boletins que ele manda (e dando retorno) e quem sabe um dia, se dispõe a ir numa viagem missionária de curta duração? Ah! E quando isso acontecer, não esqueça de levar chocolate, café, farinha e queijo de minas!

Fonte https://amide.org.br/blog/10-coisas-que-todo-missionario-ama/

11 de julho de 2019

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas


(Um texto muito importante. Leia-o)

Por Héber Negrão

O ano de 2019 foi escolhido pela UNESCO para ser comemorado o Ano Internacional das Línguas Indígenas. Segundo a organização, que lançou um site oficial para esta comemoração, cerca de 7 mil línguas são faladas hoje em dia no mundo inteiro e 97% da população mundial fala apenas 4% dessas línguas enquanto que apenas 3% da população mundial são falantes de 96% das línguas existentes. A maior parte destas, são línguas minoritárias e estão desaparecendo em um ritmo alarmante. Em vista disso a UNESCO tem o objetivo de conscientizar o mundo inteiro sobre esta triste realidade focalizando cinco objetivos estratégicos:

1. Aumentar a compreensão, a reconciliação e a cooperação internacional.
2. Criar condições favoráveis para o compartilhamento de conhecimento e para a disseminação de boas práticas com relação às línguas indígenas.
3. Integrar as línguas indígenas na configuração padrão de comunicação.
4. Empoderamento através da capacitação.
5. Crescimento e desenvolvimento através da elaboração de novos conhecimentos.

Como missionário que trabalha com Tradução das Escrituras para uma dessas línguas minoritárias e como membro da Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), uma organização cujo principal foco é tornar as Escrituras compreensíveis para diversas línguas, devo dizer que esta iniciativa me alegrou muito. Diariamente lidamos com a ameaça às línguas indígenas no país e sabemos que as línguas maternas de cada povo não são importantes apenas para comunicação diária. Elas moldam os valores, a maneira de pensar e a forma como um determinado povo vê o mundo. 

Michel Kenmogne, Diretor Executivo do Summer Institute of Linguistics, SIL Internacional, foi convidado pela UNESCO para um pronunciamento na abertura oficial do Ano Internacional das Línguas Indígenas. Em seu discurso ele destacou a forte ênfase que a comunidade global tem dado à perda da biodiversidade no planeta, no entanto, segundo ele, a maior ameaça da humanidade nos dias de hoje é a perda da diversidade linguística no mundo inteiro. Uma vez que as línguas humanas estão fortemente ligadas às emoções e identidade dos povos, a perda linguística vai gerar, necessariamente, uma redução na qualidade da vida humana. “Quando falamos de línguas, não estamos falando de sinais e símbolos, estamos realmente falando de pessoas”, conclui Kenmogne. Kirk Franklin, Diretor Executivo da Aliança Global Wycliffe, vai ainda mais longe. Para ele, a língua de um povo é um “direito fundamental do ser humano e um aspecto essencial do Ser criado à imagem de Deus”.

O Departamento de Assuntos Indígenas e o Departamento de Pesquisas da Associação de Missões Transculturais do Brasil lançaram o Relatório Indígenas do Brasil 2018 com informações atualizadas sobre a atuação missionária entre este segmento no país. No Brasil há cerca de 150 línguas indígenas atualmente e dos 340 povos indígenas presentes no país somente 25 deles têm mais de 5 mil falantes de línguas tradicionais. 



O Relatório 2018 identificou 99 etnias que são consideradas Povos Não Engajados. Cerca de 49 desses povos falam somente o Português, o que já configura uma grande perda linguística em nosso país, confirmando os temores da UNESCO. Aproximadamente 23 povos são bilíngues ou trilíngues e somente 8 ainda falam exclusivamente a língua tradicional. 

Quanto à tradução das Escrituras, o Relatório 2018 aponta que hoje a Bíblia completa está traduzida para 7 línguas indígenas no país, que existem 37 Novos Testamentos traduzidos e apresenta ainda a clara necessidade de tradução para outras 11 línguas. Sobre o tema, Lusineide Moura, Secretária Executiva da ALEM, acertadamente afirma que a igreja brasileira, mais do que qualquer outro segmento da sociedade, “deve estar consciente da sua responsabilidade na preservação dessas línguas e deve ser sua prioridade fazer com que a mensagem do Senhor, chegue a todos os povos em suas diferentes línguas”.

Uma iniciativa que deve ser destacada aqui é a do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI) que, juntamente com organizações parceiras, deram início ao curso de Tradutores Indígenas da Bíblia (TIB). Este curso visa capacitar indígenas para traduzirem as Escrituras em suas próprias línguas. O TIB teve início em 2012 e já está em sua 4ª edição, tendo capacitado aproximadamente 70 indígenas, falantes de 24 línguas. Edson Bakairi, um dos líderes do CONPLEI e coordenador do TIB, entende que a tradução das Escrituras tem sido forte aliada para a preservação das línguas indígenas e imprescindível para a transformação de vidas e para o crescimento de igrejas autóctones.

Outra ferramenta que também pode auxiliar no desenvolvimento de línguas minoritárias é o Guia de Planejamento Para o Futuro da Língua, um método de pesquisa criado por sociolinguistas da SIL Internacional. Ele auxilia comunidades minoritárias a identificarem a vitalidade de sua língua tradicional, a observarem o uso da língua majoritária e a planejarem sobre como querem lidar com ambas as línguas no futuro. Esse método é muito prático, visual e fácil de usar, podendo ser desenvolvido por representantes da própria comunidade. 

Nós temos aplicado o método na comunidade onde trabalhamos e os resultados identificados pelos indígenas a respeito do uso de sua própria língua os tem deixado muito impactados. O Guia já está disponível em português e tem sido ensinado no Brasil, no curso de Fortalecimento das Línguas Minoritárias (FLiM), oferecido pela SIL Brasil. 

Nós, cristãos, temos a tendência de encarar a multiplicação das línguas na planície de Sinear como um castigo em decorrência do orgulho e da desobediência dos homens. Mas “Deus não se enganou quando confundiu as línguas em Babel” afirma Kelly David Smith, Diretor Regional da SIL no Brasil. Mesmo que o homem não tivesse pecado naquele episódio da torre, o crescimento populacional e a dispersão das famílias levaria inevitavelmente à criação de novas línguas faladas. “Nosso Deus é um Deus de unidade e amor, mas ele também valoriza a diversidade”, conclui.

O Criador de todas as pessoas e de todas as línguas escolheu tornar conhecido seu grandioso plano de Salvação através de um livro escrito. Ele próprio se identificou como o verbo encarnado que veio ao mundo para trazer reconciliação entre Deus e os homens. A Palavra veio restaurar uma comunicação que há muito havia sido quebrada; o Logos veio traduzir o ininteligível para que o pecador pudesse encontrar seu Salvador e o Senhor soberano pudesse ser adorado em todas as línguas faladas no mundo.

Héber Negrão, especialista em Etnoartes, é membro da ALEM e da MEIB. Juntamente com sua esposa Sophia e sua filha Thalita compõe a equipe de Tradução Oral das Escrituras para a língua Tembé.

wycliffe.org.br

4 de julho de 2019

O deserto chora...

Uma antiga história do norte da África fala de um beduíno que costumava estender-se no chão e apertar o ouvido contra a areia do deserto. Passava horas escutando a terra. Um missionário, espantado com aquilo, lhe perguntou: “Afinal, o que você faz aí deitado no chão”. O beduíno levantou-se e respondeu: “Amigo, escuto o deserto chorando – ele gostaria tanto de ser um jardim!”.

O deserto do mundo está chorando – ele gostaria tanto de ser um jardim de vida. O deserto da guerra chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de paz. O deserto da fome chora – ele gostaria tanto de ser um jardim cheio de alimento. O deserto da pobreza chora – ele gostaria tanto de ser um jardim em que todos tivessem sustento. O deserto da solidão chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de encontros. O deserto da culpa chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de perdão. O deserto da morte chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de nova vida.

Norbert Lieth (revista Chamada da Meia Noite, pagina 6)

30 de junho de 2019

Renúncia por um sapo

Estava no final do meu plantão quando chegou um paciente muito especial – vou chamá-lo de Cléber! Era um jovem biólogo, muito inteligente e que se expressava muito bem. Trabalhava na região Norte do Mato Grosso, Sul do Amazonas e também Tocantins. Ele estava com uma Leishmaniose na região dorsal há um ano, sem tratamento. Por quê?

Cléber nos disse que não podia parar o que estava fazendo a fim de se tratar. “Mas, o que você estava fazendo?” Eu perguntei.

Cléber estava na mata fechada correndo riscos todos os dias, por sete vezes ficou em situação de grande perigo com onças, sem falar das cobras, aranhas e outros bichos, porque queria cumprir sua missão – descrever um anfíbio transparente que só vive naquela região.

Ao falar do anfíbio (sapo) quase chorava. Falava com tanta empolgação dos sapos cururus da vida, que todos nós do plantão ficamos quietos a ouvir-lhe. Ele disse: “Sem os sapos, a vida humana não existiria na Terra, pois eles, na cadeia alimentar, mantêm o equilíbrio, ou seja, cada sapo cururu come cerca de mil insetos por dia…”

Cléber nem se importou com o que uma leishmaniose não tratada poderia lhe causar daqui há dez ou vinte anos indo para o seu nariz ou orelhas… mas, como disse, “está envolvido nesse trabalho e alguém tem que se arriscar, alguém tem que ir lá e eu tenho esse prazer”.

Cléber se dirigiu a enfermaria para fazer Pentamidina intramuscular para sua leishmaniose nas costas e eu, Dra. Simone, me dirigi a Deus. Fui alcançada por Ele com toda essa história. Saí do plantão lembrando que por muito menos que uma Leishmaniose, estamos desistindo de uma tão grande Obra – a de descrever Cristo, o Senhor, para gente como a gente que também vive nas matas, cercados por todos os perigos, mas principalmente o de perder suas vidas eternamente.

Que Deus me empolgue novamente com Ele e Sua maravilhosa Obra. Que, como Deus, eu valorize o que é eterno, o que vale mais que o mundo inteiro. Que eu fale dEle como Cléber fala do sapo cururu!

Simone Botileiro
Fonte: Novas Tribos do Brasil

4 de junho de 2019

Missão Evangélica Betânia

Cresci lendo "A Mensagem da Cruz" e os excelentes livros da Betânia. Agora achei esse vídeo que conta a história dessa inesquecível Missão evangelizadora que compartilho com você!



https://www.mensagemdacruz.online/
https://www.betania.com.br/



20 de maio de 2019

Reparar com ouro

...Se houve um reencontro das crianças com suas mães, não sabemos. Mas Deus está trabalhando com a Coreia do Norte, como o ourives trabalha com o ouro.

As perseguições nos levam  a refletir sobre as nossas próprias provas - por quais motivos estamos desanimando em nossa fé no Senhor?

Cristã relata como é viver no país que ocupa a 1ª posição em Perseguição Religiosa.

Cristãos coreanos, todos os dias, enfrentam terríveis circunstâncias por seguirem a Jesus. Com coragem e fé eles procuram viver cada dia para honrar a Deus. O coração da Coreia do Norte está sendo reparado.

"Um dia antes de sairmos para fazer uma série de entrevistas com os norte-coreanos, na reunião de oração com vários membros da Portas Abertas Internacional foi lido o texto bíblico de 2 Coríntios 4.7-12", relata um dos colaboradores da Portas Abertas. "Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida.

"A líder da reunião explicou como ela havia passado por um momento muito difícil e como este texto tinha falado ao seu coração. Ela compartilhou conosco sobre como ficara perplexa com as tragédias que ocorreram em seus arredores, sem ser levada pelo desânimo. Uma amiga dela falecera de repente o que a fez clamar a Deus: "Isso não pode ser o fim de sua história!" Sentindo-se aflita em todos os sentidos, Deus não permitira que ela fosse esmagada. Depois ela nos deu um cartão com uma foto. A imagem mostrava uma tigela bonita e, em seguida, ela explicou o termo japonês "kintsukuroi", que significa: "reparar com ouro". Esta é a arte de reparar a cerâmica quebrada com ouro ou prata laca. A peça ganha um toque único em sua imagem e torna-se mais bonita e por isso, mais valorizada. A líder fechou a pregação dizendo: "Talvez este devocional não pareça útil para você agora; mas talvez você possa usá-lo no futuro.

"No dia seguinte conhecemos uma mulher cujo testemunho mexeu com nosso espírito e nos fez lembrar do kintsukuroi. De alguma forma, a sua história se assemelha à de sua pátria. Ela também fora quebrada muitas vezes. Ela precisou viver nas ruas para fugir de seu marido abusivo. Fugiu para a China, foi presa, enviada de volta e severamente torturada em uma prisão norte-coreana. Em sua cela, uma cristã lhe permitiu descansar no seu colo, orou por ela e procurou aliviar sua dor.

Depois de liberta da prisão, essa mulher engravidou de seu marido e veio dar à luz ao seu bebê numa estação de trem em uma noite muito fria de inverno. Mãe e filha viveram nas ruas por dois anos. Sua filha costumava acordá-la, apontando para o céu, dizendo: ‘Mãe, é um céu azul um novo dia?’. A mãe odiava quando ela fazia isso. Pois era mais um dia de sofrimento e miséria. Não aguentando mais, essa mulher tão sofredora decidiu fugir mais uma vez para a China, desta vez com outras três mães sem-teto e seus filhos, todos com idade inferior a três anos. Cada uma delas levou consigo veneno e ganchos de pescar para cometer suicídio, caso fosse necessário. O grupo chegou ao outro lado do rio com sucesso, mas foi interrompido pela polícia chinesa. No entanto, não foram presos. A polícia chamou dois táxis: um para as mulheres, e um para as crianças.

Neste ponto da história, ficamos paralisados e pedindo a Deus: "Por favor, que não seja verdade, que não seja verdade... ‘Mas era verdade. As mães foram separadas de seus filhos e nunca ouviram deles novamente. As próprias mulheres também foram vendidas. ‘Todas as pessoas da aldeia vieram para olhar para nós. Nós fomos leiloadas como gado. Eu nunca me senti tão humilhada. Eu fui comprada por um pouco menos de mil dólares por um homem chinês e seu pai. Eles abusaram de mim e me estupravam diariamente, até que eu escapei de sua fazenda pelo orifício abaixo de um vaso sanitário.

"Nossa entrevistada chegou à Coreia do Sul com a ajuda de cristãos e até mesmo alguns policiais chineses. Ela agora vive para a glória de Deus e crê firmemente que Deus um dia vai reuni-la com sua filha de 11 anos.

"No caminho de volta ao aeroporto, eu estava oprimida pela tristeza. Continuei a ter essa visão de um homem quebrando meu coração com uma vara. Eu me perguntava como seria voltar para a minha família e como explicar que eu voltei com o coração partido. E então Deus trouxe de volta a palavra "kintsukuroi '- reparar com ouro. De repente, percebi que Deus havia de reparar o meu coração com ouro. Mas Deus não iria somente trabalhar na minha restauração. Deus está reparando o coração da Coreia do Norte. Não com feno, madeira ou argila, mas com ouro, para assim, torná-lo mais bonito do que era antes", completou a irmã.

Estes cristãos são firmes em sua fé. Sua força é encontrada no Senhor, tanto que eles estão dispostos a sofrer e morrer por Seu Nome. Para esses seguidores de Cristo, a morte é apenas o fim do começo.

www.cpadnews.com.br

7 de maio de 2019

HCJB - Hoje Cristo Jesus Bendiz


Hoje recebi o livro "A Conquista da Montanha" (em baixo), que a HCJB me mandou. Quero que você leia depois o texto acima da cartinha. A HCJB, uma emissora de rádio evangélica, da qual sou ouvinte desde criança, é um grande instrumento de evangelização que Deus levantou no mundo. Um trabalho muito bem feito, com excelentes programas, tem alcançado muitas vidas ao redor do planeta por muitos anos.

Eu e minha esposa Rute realizamos programações evangélicas pelo rádio por vários anos, nos lugares por onde moramos, sempre cuidando em tomar por modelo a forma como HCJB produzia seus programas, dando-nos a inspiração na produção, desenvolvimento, quadros etc. Louvo ao Senhor por esse tempo precioso.

Para você encomendar o livro, que conta a história de HCJB: www.hcjb.com.br

Conforme alguns dados que colhi, "a transmissão inaugural ocorreu em Quito as 16:00 horas do dia de Natal de 1931, tornando a primeira emissora de rádio do Equador e a primeira estação missionária no mundo. A história da HCJB começou em Quito, a capital do Equador, no Natal de 1931, e seus fundadores foram Clarence W. Jones, graduado no Moody Bible Institute, Reuben Larson e outros missionários evangélicos americanos".

"A HCJB é a marca de uma das mais populares estações de rádio e uma das que apresentam o maior alcance internacional do mundo".

"Hoje denominada de HCJB Global, seu titulo oficial é World Radio Missionary Fellowship, Inc. Junto com parceiros locais ao longo do mundo, transmite em e para mais de 100 países em mais de 120 idiomas através das ondas curtas do rádio, e no Equador através de ondas médias assim como FM, satélite e a atual Internet".

"As emissões em português da HCJB podem ser captadas com grande facilidade em todo o Brasil nas freqüências de 6160 kHz, 9745 kHz, 11920 kHz, 12020 kHz e 15295 kHz". "A programação no idioma português começou em 1964".

No site da HCJB você encontra online toda a programação, com muitos temas, que pode ser baixada para escutar quando quiser. 


 

19 de abril de 2019

O Leão, o Leopardo, a Píton e o pequeno Kintano

Durante os anos em que trabalhamos entre as etnias Konkombas no nordeste de Gana, África ocidental, muitas vezes nos surpreendemos com a forma como os novos crentes interpretavam e contextualizavam os ensinos bíblicos a medida que lhes eram apresentados, utilizando histórias, contos e provérbios milenares na cultura Konkomba para elucidar o princípio em questão. Ao fim de uma exposição bíblica sempre há alguém que diga: Temos um conto que explica isto! Visualizando a profundidade de uma língua recheada de provérbios, nos deparamos com inúmeros contos que expressam, culturalmente, a forma como a tribo entende e avalia os princípios bíblicos dentro de sua cosmovisão. Estas próximas linhas trazem um destes contos, que nos foi narrado por dois Konkombas e um Bassari, após termos falado sobre as estratégias do inimigo em confundir o povo de Deus, quando mencionamos o texto de 1 Pedro 5.8 - “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. Procurei, até onde foi possível, realizar uma tradução acurada, utilizando algumas poucas adaptações nas expressões tipicamente Konkombas com pouca equivalência em Português. Que este conto sirva de edificação para a sua vida advertindo-o contra aquele que veio somente para roubar, matar e destruir.

Ronaldo Lidório, Missionário


O Conto

“Vivia em uma mata junto ao rio Molan um Leão idoso e sábio que, como líder dos animais que habitavam a terra, era grandemente respeitado entre todos. Devido aos longos anos de experiência em liderança, desenvolveu uma personalidade paciente, meticulosa, vagarosa, quase beirando a contemplação. Entretanto, era por demais ouvido entre todos quando se levantava pensativamente de sua moita favorita usualmente dizendo: “Creio que sei o que deve ser feito!”. Até seus rivais que o criticavam pelo seu jeito pacificador de ser, enxergavam nele uma fonte de sensatez. Havia apenas um pequeno e quase imperceptível defeito em sua personalidade o qual, por tão pequeno, não era por ninguém visto como erro, mas sim como uma excentricidade, ou “até uma virtude” - diziam muitos: o Leão odiava sujeira! Lama, restos de comida ou uma simples poeira o deixava irritado e descontente. Não chegava a ser, entretanto, suficiente para nenhuma discórdia ou discussão. No máximo um desabono como um balançar de cabeça ou um ligeiro suspiro de indignação. Descendo o rio, no topo de uma árvore pouco frondosa, morava o Leopardo. Ele era esguio e vivaz. Alegre, contador de piadas e particularmente gostava de narrar engraçadas histórias sobre os habitantes do rio. Sendo o único animal de grande porte naquela parte da floresta era chamado em qualquer emergência e, mesmo sem a ponderação e experiência do leão, promovia soluções fazendo piadas dos problemas e tornando-os menos sérios. Quase nunca usava sua autoridade de mais forte e gostava de andar ao redor toda tarde prometendo aos macacos que eles seriam a sua refeição do dia seguinte se nada melhor aparecesse, o que gerava uma algazarra nas árvores enquanto ele dava boas risadas. Apesar de amigo e companheiro havia algo que o impedia de ter mais proximidade com outros animais. Ele ficava enraivecido sempre que alguém o fitava. Poderia conversar longamente com todos, desde que ninguém olhasse diretamente em seus olhos, pois ficaria por demais irado e, com um rugido, saía mal-humorado. Mas todos, conhecendo esta particularidade, sabiam como tratá-lo e até brincavam entre si dizendo que ele ficara assim desde que vira sua própria face no espelho de água do rio Molan, e admirou-se de como era feio. Era apenas uma versão entre os macacos que se divertiam com esta história durante as noites. Ninguém, nem mesmo ele, na verdade, sabia o porquê desta irritação ao ser fitado. Conhecendo de antemão o seu temperamento, todos sabiam como tratá-lo e tudo corria bem naquela parte da mata.

Mais distante próximo ao pântano da árvore alta vivia Píton, a cobra. Dentre tantas outras cobras que habitavam aquela área, Píton era a maior, mais forte e mais inteligente dentre elas. Apesar de temida entre todos os animais, Píton não era de tão difícil relacionamento como imaginavam. Era séria, compenetrada e muito desconfiada, sem dúvida. Mas também sempre se mostrava bem disposta a ajudar em momentos de crise. “Quando houve a última enchente” - reconhecem todos – “Píton foi a primeira a voluntariar-se para ajudar os animais que não conseguiam nadar”. “Mas também fala disto até hoje!”- completam os mais críticos. Apesar de não ter a sensatez do Leão e a descontração do Leopardo, Píton era reconhecida como líder. “Um líder não deve ser temido, ranzinza e desconfiado” - lembravam os macacos, mostrando que lhe retirariam o cargo se pudessem. Era sabido que Píton, a cobra, possuía um grande complexo de inferioridade pelo fato de se postar sempre mais baixa que os outros animais, por ter que rastejar. Muitos, assim, ignoravam a sua presença. Certa vez um elefante quase a pisou por não vê-la, o que causou grande indignação. Desde então ela detesta ser tocada e sempre lembra a todos o seu lema: “Nunca pise em mim!”. Certo dia surgiu um assunto de urgência que envolvia toda a floresta. Algumas hienas, temidas por todos os animais de bem, decidiram mudar-se para aquela região. Todos estavam preocupados e criavam muitos boatos e rumores sobre isto. O Leão, prevendo um estado de pânico, decidiu convocar uma reunião entre a liderança da floresta: ele, o Leopardo e a Píton iriam se reunir junto à sua moita no dia seguinte. No dia esperado, logo cedo, chegou o Leopardo e como de costume fazia piadas do Leão chamando-o de “Jubinha” referindo-se a um fato constrangedor e nunca mencionado pelos outros animais: o Leão nascera com menos pêlo em sua juba que outros da sua espécie. Fingindo ignorar as piadinhas o Leão chamou-o para baixo da árvore e ofereceu-lhe água do riacho que por ali passava. Logo em seguida, sutil e esguia, chegou Píton causando surpresa no Leão. “Não pensei que viria tão cedo” - comentou ele referindo-se aos constantes atrasos de Píton nas últimas reuniões de liderança. Como sempre Píton permanecia calada e procurou calmamente o lugar mais úmido para se enrolar. Durante o dia o Leão, o Leopardo e Píton conversaram sobre todas as implicações da vinda das hienas para a floresta e, após ouvir longamente as inúmeras sugestões dos outros animais, estavam prestes a tomar uma decisão quando foram interrompidos pela comida que chegava. “Pensei que era plano do Leão trazer-nos aqui para matar-nos de fome” - comentou o Leopardo entre risos. Comeram regaladamente e após tudo ser devidamente limpo decidiram descansar por um curto período antes de retomarem as discussões.

Neste momento, enquanto Leão, Leopardo e Píton dormiam, surgiu sorrateiramente um pequeno inseto típico daquela parte da floresta chamado Kintano. É uma espécie de grilo com apenas dois centímetros de tamanho e que costuma fazer um buraquinho na areia onde esconde-se nos momentos mais quentes do dia. Sem ser por ninguém percebido, Kintano pulou até o lugar onde o Leão deitava sobre sua limpa e macia moita e começou a cavar o seu buraquinho com suas patinhas traseiras, lançando a areia para trás à medida que desaparecia dentro do seu abrigo. Entretanto, com a força de suas patinhas, Kintano conseguiu arremessar aquela fina areia até o focinho do Leão o qual, cheirando a poeira, levantou-se de um salto julgando ser uma brincadeira do Leopardo. Fitou-o bem nos olhos e num rugido gritou: “Por que me sujou? Você sabe como detesto sujeira!”. O Leopardo rosnou indignado: “Não sei do que está falando, mas você sabe que odeio quando alguém me fita!”. Os dois começaram uma estrondosa luta quando, não percebendo a Píton, o Leopardo a pisou com sua pata traseira fazendo-a acordar irada e gritando: “Não admito ser pisada por ninguém!”. O Leopardo, mais jovem e forte, matou o Leão em uma tremenda batalha! A Píton, sagaz, enlaçou o Leopardo e o apertou até que morresse; entretanto, com tamanho esforço, não resistiu e também morreu. Houve silêncio em toda a floresta. Como líderes tão bondosos, gentis e responsáveis chegaram ao ponto de se matar? - Perguntavam todos. Os animais da floresta, atônitos, baixaram suas cabeças e dispersaram-se. E o Kintano... O Kintano, após tudo acabar, saiu do buraquinho na areia, olhou ao seu redor e começou a pular em direção a outro vale, a procura de outros líderes em outras florestas. “U Mallenyaan nyen Kintan so. U nyen kenin, sedimaten, tob anun ni kagbaan pu na”. “O Diabo é como o Kintano. Ele veio apenas roubar, matar e destruir” - dizem os Konkombas”.

http://www.ronaldo.lidorio.com.br

3 de abril de 2019

Missões, coisa de adorador

Sempre gostei muito do assunto. Falar e ouvir a respeito daquilo que Deus têm feito, em Cristo, em todo planeta, da expansão do Seu Reino, de culturas sendo redimidas e celebrando o Seu nome santo. Como estas coisas me abençoam.

Quem nunca se emocionou numa conferência missionária? Quem nunca ficou boquiaberto com as fascinantes histórias de corajosos missionários desbravando selvas e outros “fins de mundo” por aí. Acredito que todos nós. Eu também sou fruto desta geração. Mas refletindo um pouco mais sobre a obra missionária, a tarefa a nós comissionada pela Trindade, percebi que muitas vezes nossa cosmovisão e/ou nossas motivações são carentes da perspectiva bíblica realmente sadia.

Como assim? Explico. O que é afinal a Obra Missionária? Como e para quê devemos “ir e fazer discípulos de todas as nações” ?

Entendo que missões é uma disposição em obedecer ao nosso mandato cultural que se encontra no texto de Gênesis 1:28-29. Deus criou todas as coisas (pelo santo e sábio conselho da sua vontade) e nos colocou como mordomos de tudo isso. E se Ele nos fez para o louvor da Sua glória, toda nossa existência tem como fundamento a glorificação d’Ele. Isso equivale dizer que onde vamos, onde estamos, o que fazemos, enfim, toda nossa vida se completa e tem sentido a partir do momento em que celebramos sua Glória e a anunciamos.

Isso também aponta para alguns fatos interessantes:

1) Não fazemos missões para minimizar a proliferação do pecado e da morte. Não fazemos missões por causa do pecado alheio;

2) Não fazemos missões apenas por que Cristo nos comissionou. Missões é além da obediência, sinônimo de identidade. Fomos criados para tal;

3) Não fazemos missões por desencargo de consciência ou por falta de opção.

Missões é uma expressão da nossa fé, do nosso amor a Deus e da nossa adoração. Se não O anunciamos, morremos. Fazemos missões, portanto, porque amamos a Deus acima de todas as coisas. E todas mesmo!

Muitas vezes vemos nas nossas melhores igrejas, apresentações missionárias muito mais centralizadas no sofrimento, no pecado e nas tragédias humanas. Que pena. Não é isso. Missões é coisa para adorador. Claro que não devemos viver alienados, mas não podemos manipular a emoção das pessoas. Como tudo que é vivo, a Igreja também vive um processo de amadurecimento. Temos a possibilidde de aprendermos com nossas experiências. Acredito que muita coisa já mudou. Graças a Deus.

Nosso povo é simples, multicolorido, se adapta a várias situações, é inteligente. Somos um grande celeiro de missionários. Tenha certeza que ninguém conseguirá tomar o seu lugar. Se você ama a Deus, seu lugar é neste exército. E vale a pena, n’ Ele nosso trabalho abençoa todas as famílias da terra.

Minha oração é para que como igreja brasileira possamos assumir de forma plena nosso papel na “Vinda do Reino” à terra. Pois será maravilhosa a visão daquele trono majestoso…


Daniela Xavier Formada em Gastronomia e casada com Saulo Xavier, servem atualmente na Missão Kairos, com projetos de Tradução e Mobilização. Fonte: www.jocum.org.br

5 de março de 2019


Os primeiros missionários da Assembleia de Deus partiram para o campo sem credenciais para comprovarem suas atividades nos países aonde chegavam, estes heróis da Fé realizaram sua parte na Grande Comissão sem qualquer suporte logístico. Essa situação perdurou até janeiro do ano de 1975, quando na 22ª Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil na cidade de Santo André – SP, nasceu a SENAMI – Secretaria Nacional de Missões da CGADB - Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, com a finalidade de estruturar o trabalho missionário da denominação no Brasil e no exterior e credenciar os missionários enviados por suas igrejas.

Os convencionais reunidos em Natal em 1973 prepararam um relatório para tratar sobre a criação da Secretaria Nacional de Missões das Assembleias de Deus. Em Santo André dois anos depois, depois de lido e aprovado o relatório, “o presidente pastor Túlio Barros Ferreira falou de forma eloquente e expressiva sobre a OBRA MISSIONÁRIA, tendo cantado um hino os pastores Otoniel e Oziel Moura de Paula trouxeram um avivamento aos convencionais. Antes de terminar a sessão, o pastor João Pereira de Andrade e Silva leu uma carta do missionário Temóteo Ramos de Oliveira, que estava na Espanha, falando sobre a obra de Deus naquele lugar. Depois se sucederam discorrendo sobre o assunto MISSÕES os pastores Joaquim Marcelino, Oziel Moura de Paula, Anselmo Silvestre e Luiz Francisco Fontes, e foi anunciada a primeira oferta para a SENAMI, recolhida durante a sessão, foi de Cr$2.720 (dois mil e setecentos e vinte cruzeiros)” (extraído do livro Histórias da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil da CPAD).

Missões sempre fizeram parte da história das Assembléias de Deus no Brasil, visto que sua existência é fruto do trabalho missionário de dois jovens suecos, Gunnar Vingren e Daniel Berg, os quais desde cedo procuraram incutir no espírito dos membros da novel igreja a obediência ao IDE de Jesus, exarado na Grande Comissão de Mateus 28.18,19 e Marcos 16.15.



Assim, com apenas dois anos de existência, a Igreja da Missão da Fé Apostólica, mais tarde Assembleia de Deus no Brasil, de sua sede em Belém do Pará, enviou a Portugal seu primeiro Missionário ao exterior: José Plácido da Costa. Em 1921, foi a vez de José de Mattos. Ao longo dos anos outros seguiram os mesmos passos, saindo do Brasil para levar as boas novas a outros povos. Contudo, não havia um órgão oficial normativo que credenciasse os missionários e lutasse pelos seus interesses no campo missionário. Urgia solucionar tal problema, a fim de expandir o potencial missionário das Assembleias de Deus no Brasil e no exterior.

O que pretende a SENAMI

Incrementar o Projeto Adoção de obreiros;
Realizar Congressos e Conferências Nacionais e Missões das Assembleias de Deus no Brasil;
Fortalecer seu trabalho de pesquisa e de assessoramento às igrejas, para que cumpram a Grande Comissão;
Assistir missionários no campo com maior e melhor atendimento material, moral e ministerial;
Criar normas que propiciem as atividades evangélicas, tais como cruzadas, secretarias regionais e locais de missões, e também melhor funcionalidade e consequente frutificação para o reino de Deus;
Executar projetos de evangelização por vias fluviais e marítimas, mediante a aquisição de embarcações adequadas e capazes para tal tarefa;
Estabelecer melhor intercâmbio com outros setores da Grande Seara, sempre que haja necessidade, visando o bom desempenho do labor missionário.

A SENAMI é um órgão da CGADB que caminha e conquista espaço no Brasil e no mundo, alicerçado na força do amor, generosidade e dedicação de vida e tempo exclusivamente ao Senhor da Seara.


Fonte: www.senami.com.br

19 de fevereiro de 2019

Cristã norte-coreana torturada por sua fé



Em uma entrevista com o grupo de vigilância de perseguições Portas Abertas, uma mulher identificada apenas como “Prisioneira 42” compartilhou como ela se tornou cristã depois de fugir para a China em meio à grande fome da Coreia do Norte, e sobre os horrores que passou na prisão ao ser descoberta.

Na China, ela foi capturada e enviada para um campo de prisioneiros norte-coreano, onde passou um ano em confinamento solitário.

Quando ela chegou ao campo de prisioneiros, os guardas rasparam sua cabeça e a despiram. Todas as manhãs, quando a chamavam, saía de uma pequena porta - normalmente usada para cães ou gatos - e mantinha a cabeça abaixada porque não lhe era permitido fazer contato visual com os guardas.

Ela lembrou como, durante uma hora, os guardas lhe faziam as mesmas perguntas: “Por que você estava na China? Quem você conheceu? Você foi à igreja? Você teve uma Bíblia? Você conheceu algum sul-coreano? Você é cristã?”

Para permanecer viva, ela foi forçada a mentir: “Eu sou cristã? Sim. Eu amo Jesus. Mas eu tive que negar; se eu admitisse que fui ajudada por cristãos chineses, eu seria morta, agora ou depois”, disse ela. “Eles vão me matar nesta prisão norte-coreana. Todos os dias, sou espancada e chutada - dói mais quando batem nos meus ouvidos. Por causa disso, meus ouvidos zunem por horas, às vezes dias”.

Durante seu ano em confinamento solitário, ela ficou presa em uma cela fria e nunca viu a luz do sol ou outro prisioneiro: “Passei um ano na prisão e por um ano minha pele não tocou um único raio de sol”, disse ela.

Então ela orou e cantou uma canção que escreveu em sua cabeça - mas nunca pode cantar em voz alta: “Meu coração anseia por meu pai nesta prisão / Embora o caminho para a verdade é íngreme e estreito / Um futuro brilhante será revelado quando eu continuar.”

Trabalhos forçados

Por trabalhar 12 horas por dia, a “Prisioneira 42” ficou doente e teve que ir para outro lugar, um quartel. Lá, ela viu uma mulher orando em línguas debaixo de um cobertor.

“Dentro desta prisão norte-coreana, acabamos formando uma igreja secreta. Quando nos encontramos e nos sentimos seguros o suficiente, oramos a Oração do Senhor", contou. “Ela era muito mais corajosa do que eu e falava com outras pessoas sobre Cristo também”.

Mas um dia um carro chegou e levou-a embora: “Quando a vi sair, soube que a levariam a um Kwan-li segurança de máxima. Sabia que nunca mais a veria”, disse ela.

A “Prisioneiro 42" saiu da prisão dois anos. Ela disse ao Portas Abertas que a primeira coisa que ela planeja fazer é encontrar o marido e os filhos.

“Não nos vemos há anos”, ela disse. “Mas Deus cuidou de mim aqui nesta prisão norte-coreana, e eu oro e acredito que Ele também cuida da minha família a cada segundo de cada minuto de cada hora de cada dia. Eu preciso contar a eles sobre esse Deus amoroso”, acrescentou ela.

A Coreia do Norte tem sido a perseguidora número um dos cristãos na lista anual do Portas Abertas por 18 anos consecutivos. O Departamento de Estado dos EUA também incluiu a Coreia do Norte em sua lista de países que violam a liberdade religiosa todos os anos desde 2001.

O Porta Abertas estima que haja 250.000 norte-coreanos presos, 50.000 dos quais são prisioneiros políticos presos por sua fé cristã.

A Coreia do Norte já havia prendido missionários sul-coreanos e americanos por supostamente tentar construir igrejas subterrâneas, e pouquíssimos crentes norte-coreanos correm o risco de tentar ganhar conversos, dizem desertores.


Fonte: guiame.com.br

10 de fevereiro de 2019

Sou filha de Deus e não tenho medo de morrer

Os cristãos que vivem na Coreia do Norte, país que proíbe qualquer expressão do cristianismo, enfrentam riscos diariamente. Por este motivo, eles não podem compartilhar a sua fé abertamente e escondem a sua crença até mesmo dos familiares mais próximos.

Só um pequeno número de cristãos norte-coreanos conseguem alcançar novos convertidos. Este foi o caso de uma senhora entrevistada pela Associated Press, que viu a conversão de 10 parentes e vizinhos e realizou cultos secretos antes de desertar para a Coreia do Sul.

“Eu queria construir a minha igreja e cantar o mais alto que pudesse”, disse ela, que agora é pastora em Seul, capital sul-coreana. Ela foi identificada com suas iniciais, HY, por questões de segurança.

A Unification Strategy Institution, uma entidade de pesquisa em Seul, ouviu testemunhos sobre repressões religiosas, semelhantes ao de HY, em entrevistas com mais de 1.000 desertores da Coreia do Norte nos últimos 20 anos.

A Coreia do Norte tem cinco igrejas sancionadas pelo governo na sua capital, Pyongyang, mas especialistas dizem que elas são falsas — destinadas a encobrir os abusos religiosos do país e para ganhar ajuda externa. O país tinha uma população crescente de cristãos antes da Guerra da Coreia (1950-1953), mas passou a promover repressões contra a fé cristã - que o governo vê como uma ameaça ocidental liderada pelos Estados Unidos.

“De uma perspectiva externa, não há absolutamente nenhuma liberdade religiosa na Coreia do Norte”, disse Kim Yun Tae, presidente da Unification Strategy Institution, que não é religioso.

Testemunho nas Prisões

A maioria dos cristãos remanescentes na Coreia do Norte aprenderam sobre a religião quando foram para a China, depois que uma fome devastadora matou centenas de milhares de pessoas em meados dos anos 90. Mais tarde, os convertidos foram capturados e enviados de volta para o Norte.

A maioria negou a fé quando foi interrogada, enquanto outros defenderam a sua crença com ousadia. Outra desertora em Seul, Kwak Jeong-ae, 65, contou que uma colega na Coreia do Norte falou sobre a sua fé aos guardas e insistiu em usar o seu nome de baptismo, ao invés do nome coreano original, durante um interrogatório em 2004.

“Ela insistiu em dizer: ‘O meu nome é Hyun Sarah. É o nome que Deus e a minha igreja me deram’”, disse Kwak. “Ela disse [aos interrogadores]: ‘Sou uma filha de Deus e não tenho medo de morrer. Então, se você quiser me matar, vá em frente e me mate’”.

Kwak lembra que mais tarde viu Hyun, então com 23 anos, a voltar do interrogatório com fortes hematomas na testa e a deitar sangue pelo nariz. Dias depois, os guardas levaram Hyun embora para sempre.

Fé em Segredo

Uma outra desertora, que manteve anonimato, contou que orava debaixo do cobertor ou na casa de banho para não ser pega. Outro cristão que foi preso após ser repatriado da China, descreveu a oração silenciosa na sua cela depois que um preso compartilhou alguns preciosos grãos de milho com ele.

“Nós nos comunicávamos escrevendo nas nossas palmas [com nossos dedos]. Eu disse a ele que era cristão e perguntei se ele também era”, disse o cristão, que pediu para ser identificado apenas como JM.

Jung Gwangil, um desertor norte-coreano que tornou-se activista, conta que viu um homem a orar e a cantar hinos quando foram presos juntos na cidade de Hoeryong, no norte do país, em outubro de 1999. O homem era espancado com frequência e um dia foi arrastado para fora.

“Ao sair, ele gritou para nós: ‘Deus vai te salvar’. Eu não tinha ouvido falar no cristianismo antes deste momento e achei que ele era maluco”, disse Jung. Ele não soube o que aconteceu com o aquele crente.

Depois que HY foi mandada de volta para a Coreia do Norte, ela começou um trabalho missionário com apoio financeiro que recebia de outros grupos cristãos. Ela tentou conquistar a confiança das pessoas ao emprestar dinheiro, distribuir milho e ajudar em funerais antes de falar cautelosamente com elas sobre o cristianismo.

Ao falar sobre os novos convertidos ela disse: “Nós cantávamos hinos muito silenciosamente, a olhar para os lábios um dos outros. Eu chorava com bastante frequência”.

Motivos de Oração:


Ore pelos cristãos perseguidos na Coreia do Norte, para que eles sejam fortalecidos em Cristo.

Ore para que a comunidade internacional não desista de pressionar o governo da Coreia do Norte pedindo por liberdade religiosa.

Ore para que aqueles que por causa da perseguição abandonaram a fé, tenham a oportunidade de conhecer o poder restaurado de Cristo.

Fonte: https://www.vozdosmartires.com

5 de fevereiro de 2019