19 de fevereiro de 2019

Cristã norte-coreana torturada por sua fé



Em uma entrevista com o grupo de vigilância de perseguições Portas Abertas, uma mulher identificada apenas como “Prisioneira 42” compartilhou como ela se tornou cristã depois de fugir para a China em meio à grande fome da Coreia do Norte, e sobre os horrores que passou na prisão ao ser descoberta.

Na China, ela foi capturada e enviada para um campo de prisioneiros norte-coreano, onde passou um ano em confinamento solitário.

Quando ela chegou ao campo de prisioneiros, os guardas rasparam sua cabeça e a despiram. Todas as manhãs, quando a chamavam, saía de uma pequena porta - normalmente usada para cães ou gatos - e mantinha a cabeça abaixada porque não lhe era permitido fazer contato visual com os guardas.

Ela lembrou como, durante uma hora, os guardas lhe faziam as mesmas perguntas: “Por que você estava na China? Quem você conheceu? Você foi à igreja? Você teve uma Bíblia? Você conheceu algum sul-coreano? Você é cristã?”

Para permanecer viva, ela foi forçada a mentir: “Eu sou cristã? Sim. Eu amo Jesus. Mas eu tive que negar; se eu admitisse que fui ajudada por cristãos chineses, eu seria morta, agora ou depois”, disse ela. “Eles vão me matar nesta prisão norte-coreana. Todos os dias, sou espancada e chutada - dói mais quando batem nos meus ouvidos. Por causa disso, meus ouvidos zunem por horas, às vezes dias”.

Durante seu ano em confinamento solitário, ela ficou presa em uma cela fria e nunca viu a luz do sol ou outro prisioneiro: “Passei um ano na prisão e por um ano minha pele não tocou um único raio de sol”, disse ela.

Então ela orou e cantou uma canção que escreveu em sua cabeça - mas nunca pode cantar em voz alta: “Meu coração anseia por meu pai nesta prisão / Embora o caminho para a verdade é íngreme e estreito / Um futuro brilhante será revelado quando eu continuar.”

Trabalhos forçados

Por trabalhar 12 horas por dia, a “Prisioneira 42” ficou doente e teve que ir para outro lugar, um quartel. Lá, ela viu uma mulher orando em línguas debaixo de um cobertor.

“Dentro desta prisão norte-coreana, acabamos formando uma igreja secreta. Quando nos encontramos e nos sentimos seguros o suficiente, oramos a Oração do Senhor", contou. “Ela era muito mais corajosa do que eu e falava com outras pessoas sobre Cristo também”.

Mas um dia um carro chegou e levou-a embora: “Quando a vi sair, soube que a levariam a um Kwan-li segurança de máxima. Sabia que nunca mais a veria”, disse ela.

A “Prisioneiro 42" saiu da prisão dois anos. Ela disse ao Portas Abertas que a primeira coisa que ela planeja fazer é encontrar o marido e os filhos.

“Não nos vemos há anos”, ela disse. “Mas Deus cuidou de mim aqui nesta prisão norte-coreana, e eu oro e acredito que Ele também cuida da minha família a cada segundo de cada minuto de cada hora de cada dia. Eu preciso contar a eles sobre esse Deus amoroso”, acrescentou ela.

A Coreia do Norte tem sido a perseguidora número um dos cristãos na lista anual do Portas Abertas por 18 anos consecutivos. O Departamento de Estado dos EUA também incluiu a Coreia do Norte em sua lista de países que violam a liberdade religiosa todos os anos desde 2001.

O Porta Abertas estima que haja 250.000 norte-coreanos presos, 50.000 dos quais são prisioneiros políticos presos por sua fé cristã.

A Coreia do Norte já havia prendido missionários sul-coreanos e americanos por supostamente tentar construir igrejas subterrâneas, e pouquíssimos crentes norte-coreanos correm o risco de tentar ganhar conversos, dizem desertores.


Fonte: guiame.com.br

10 de fevereiro de 2019

Sou filha de Deus e não tenho medo de morrer

Os cristãos que vivem na Coreia do Norte, país que proíbe qualquer expressão do cristianismo, enfrentam riscos diariamente. Por este motivo, eles não podem compartilhar a sua fé abertamente e escondem a sua crença até mesmo dos familiares mais próximos.

Só um pequeno número de cristãos norte-coreanos conseguem alcançar novos convertidos. Este foi o caso de uma senhora entrevistada pela Associated Press, que viu a conversão de 10 parentes e vizinhos e realizou cultos secretos antes de desertar para a Coreia do Sul.

“Eu queria construir a minha igreja e cantar o mais alto que pudesse”, disse ela, que agora é pastora em Seul, capital sul-coreana. Ela foi identificada com suas iniciais, HY, por questões de segurança.

A Unification Strategy Institution, uma entidade de pesquisa em Seul, ouviu testemunhos sobre repressões religiosas, semelhantes ao de HY, em entrevistas com mais de 1.000 desertores da Coreia do Norte nos últimos 20 anos.

A Coreia do Norte tem cinco igrejas sancionadas pelo governo na sua capital, Pyongyang, mas especialistas dizem que elas são falsas — destinadas a encobrir os abusos religiosos do país e para ganhar ajuda externa. O país tinha uma população crescente de cristãos antes da Guerra da Coreia (1950-1953), mas passou a promover repressões contra a fé cristã - que o governo vê como uma ameaça ocidental liderada pelos Estados Unidos.

“De uma perspectiva externa, não há absolutamente nenhuma liberdade religiosa na Coreia do Norte”, disse Kim Yun Tae, presidente da Unification Strategy Institution, que não é religioso.

Testemunho nas Prisões

A maioria dos cristãos remanescentes na Coreia do Norte aprenderam sobre a religião quando foram para a China, depois que uma fome devastadora matou centenas de milhares de pessoas em meados dos anos 90. Mais tarde, os convertidos foram capturados e enviados de volta para o Norte.

A maioria negou a fé quando foi interrogada, enquanto outros defenderam a sua crença com ousadia. Outra desertora em Seul, Kwak Jeong-ae, 65, contou que uma colega na Coreia do Norte falou sobre a sua fé aos guardas e insistiu em usar o seu nome de baptismo, ao invés do nome coreano original, durante um interrogatório em 2004.

“Ela insistiu em dizer: ‘O meu nome é Hyun Sarah. É o nome que Deus e a minha igreja me deram’”, disse Kwak. “Ela disse [aos interrogadores]: ‘Sou uma filha de Deus e não tenho medo de morrer. Então, se você quiser me matar, vá em frente e me mate’”.

Kwak lembra que mais tarde viu Hyun, então com 23 anos, a voltar do interrogatório com fortes hematomas na testa e a deitar sangue pelo nariz. Dias depois, os guardas levaram Hyun embora para sempre.

Fé em Segredo

Uma outra desertora, que manteve anonimato, contou que orava debaixo do cobertor ou na casa de banho para não ser pega. Outro cristão que foi preso após ser repatriado da China, descreveu a oração silenciosa na sua cela depois que um preso compartilhou alguns preciosos grãos de milho com ele.

“Nós nos comunicávamos escrevendo nas nossas palmas [com nossos dedos]. Eu disse a ele que era cristão e perguntei se ele também era”, disse o cristão, que pediu para ser identificado apenas como JM.

Jung Gwangil, um desertor norte-coreano que tornou-se activista, conta que viu um homem a orar e a cantar hinos quando foram presos juntos na cidade de Hoeryong, no norte do país, em outubro de 1999. O homem era espancado com frequência e um dia foi arrastado para fora.

“Ao sair, ele gritou para nós: ‘Deus vai te salvar’. Eu não tinha ouvido falar no cristianismo antes deste momento e achei que ele era maluco”, disse Jung. Ele não soube o que aconteceu com o aquele crente.

Depois que HY foi mandada de volta para a Coreia do Norte, ela começou um trabalho missionário com apoio financeiro que recebia de outros grupos cristãos. Ela tentou conquistar a confiança das pessoas ao emprestar dinheiro, distribuir milho e ajudar em funerais antes de falar cautelosamente com elas sobre o cristianismo.

Ao falar sobre os novos convertidos ela disse: “Nós cantávamos hinos muito silenciosamente, a olhar para os lábios um dos outros. Eu chorava com bastante frequência”.

Motivos de Oração:


Ore pelos cristãos perseguidos na Coreia do Norte, para que eles sejam fortalecidos em Cristo.

Ore para que a comunidade internacional não desista de pressionar o governo da Coreia do Norte pedindo por liberdade religiosa.

Ore para que aqueles que por causa da perseguição abandonaram a fé, tenham a oportunidade de conhecer o poder restaurado de Cristo.

Fonte: https://www.vozdosmartires.com

5 de fevereiro de 2019