10 de fevereiro de 2019

Sou filha de Deus e não tenho medo de morrer

Os cristãos que vivem na Coreia do Norte, país que proíbe qualquer expressão do cristianismo, enfrentam riscos diariamente. Por este motivo, eles não podem compartilhar a sua fé abertamente e escondem a sua crença até mesmo dos familiares mais próximos.

Só um pequeno número de cristãos norte-coreanos conseguem alcançar novos convertidos. Este foi o caso de uma senhora entrevistada pela Associated Press, que viu a conversão de 10 parentes e vizinhos e realizou cultos secretos antes de desertar para a Coreia do Sul.

“Eu queria construir a minha igreja e cantar o mais alto que pudesse”, disse ela, que agora é pastora em Seul, capital sul-coreana. Ela foi identificada com suas iniciais, HY, por questões de segurança.

A Unification Strategy Institution, uma entidade de pesquisa em Seul, ouviu testemunhos sobre repressões religiosas, semelhantes ao de HY, em entrevistas com mais de 1.000 desertores da Coreia do Norte nos últimos 20 anos.

A Coreia do Norte tem cinco igrejas sancionadas pelo governo na sua capital, Pyongyang, mas especialistas dizem que elas são falsas — destinadas a encobrir os abusos religiosos do país e para ganhar ajuda externa. O país tinha uma população crescente de cristãos antes da Guerra da Coreia (1950-1953), mas passou a promover repressões contra a fé cristã - que o governo vê como uma ameaça ocidental liderada pelos Estados Unidos.

“De uma perspectiva externa, não há absolutamente nenhuma liberdade religiosa na Coreia do Norte”, disse Kim Yun Tae, presidente da Unification Strategy Institution, que não é religioso.

Testemunho nas Prisões

A maioria dos cristãos remanescentes na Coreia do Norte aprenderam sobre a religião quando foram para a China, depois que uma fome devastadora matou centenas de milhares de pessoas em meados dos anos 90. Mais tarde, os convertidos foram capturados e enviados de volta para o Norte.

A maioria negou a fé quando foi interrogada, enquanto outros defenderam a sua crença com ousadia. Outra desertora em Seul, Kwak Jeong-ae, 65, contou que uma colega na Coreia do Norte falou sobre a sua fé aos guardas e insistiu em usar o seu nome de baptismo, ao invés do nome coreano original, durante um interrogatório em 2004.

“Ela insistiu em dizer: ‘O meu nome é Hyun Sarah. É o nome que Deus e a minha igreja me deram’”, disse Kwak. “Ela disse [aos interrogadores]: ‘Sou uma filha de Deus e não tenho medo de morrer. Então, se você quiser me matar, vá em frente e me mate’”.

Kwak lembra que mais tarde viu Hyun, então com 23 anos, a voltar do interrogatório com fortes hematomas na testa e a deitar sangue pelo nariz. Dias depois, os guardas levaram Hyun embora para sempre.

Fé em Segredo

Uma outra desertora, que manteve anonimato, contou que orava debaixo do cobertor ou na casa de banho para não ser pega. Outro cristão que foi preso após ser repatriado da China, descreveu a oração silenciosa na sua cela depois que um preso compartilhou alguns preciosos grãos de milho com ele.

“Nós nos comunicávamos escrevendo nas nossas palmas [com nossos dedos]. Eu disse a ele que era cristão e perguntei se ele também era”, disse o cristão, que pediu para ser identificado apenas como JM.

Jung Gwangil, um desertor norte-coreano que tornou-se activista, conta que viu um homem a orar e a cantar hinos quando foram presos juntos na cidade de Hoeryong, no norte do país, em outubro de 1999. O homem era espancado com frequência e um dia foi arrastado para fora.

“Ao sair, ele gritou para nós: ‘Deus vai te salvar’. Eu não tinha ouvido falar no cristianismo antes deste momento e achei que ele era maluco”, disse Jung. Ele não soube o que aconteceu com o aquele crente.

Depois que HY foi mandada de volta para a Coreia do Norte, ela começou um trabalho missionário com apoio financeiro que recebia de outros grupos cristãos. Ela tentou conquistar a confiança das pessoas ao emprestar dinheiro, distribuir milho e ajudar em funerais antes de falar cautelosamente com elas sobre o cristianismo.

Ao falar sobre os novos convertidos ela disse: “Nós cantávamos hinos muito silenciosamente, a olhar para os lábios um dos outros. Eu chorava com bastante frequência”.

Motivos de Oração:


Ore pelos cristãos perseguidos na Coreia do Norte, para que eles sejam fortalecidos em Cristo.

Ore para que a comunidade internacional não desista de pressionar o governo da Coreia do Norte pedindo por liberdade religiosa.

Ore para que aqueles que por causa da perseguição abandonaram a fé, tenham a oportunidade de conhecer o poder restaurado de Cristo.

Fonte: https://www.vozdosmartires.com

5 de fevereiro de 2019