21 de novembro de 2018

MISSÕES

Quando lemos biografias de missionários que sobressaíram na obra do Senhor, nossa mente viaja junto com eles pelos campos missionários. Podemos acompanhar em pensamentos missionários como Hudson Taylor que foi para a China e lá desenvolveu uma grande obra.

Também podemos ler a respeito de William Carey, de David Livongstone como eles entregaram suas vidas para levar a mensagem do Evangelho até os confins da terra.

Estes heróis da fé também tiveram que enfrentar problemas, dificuldades, enfermidades, e a morte de familiares. Outras vezes ficaram diante de decisões difíceis, tentando ir para um lugar, ou para outro, mas qual era a vontade de Deus?

Aí nos surge a situação em que se encontrava o apóstolo Paulo. Ele queria pregar a mensagem do Evangelho na Ásia, mas o Espírito Santo não lhes permitiu. Tentou ir para Bitínia, e outra vez o Espírito de Jesus não o permitiu. Que fazer? Buscar a direção de Deus. Parar e perguntar – e agora Senhor?

À noite sobreveio a Paulo uma visão, na qual ele viu um homem macedônio que dizia, passa à Macedônia e ajuda-nos. Paulo entendeu que era o Senhor, e ele foi obediente, e pregou Evangelho na Europa.

Os caminhos de Deus nem sempre estão expostos diante de nós. Ele nos guia passo a passo, e nem sempre sabemos qual será o próximo local onde Deus irá nos levar. O importante é que sejamos fiéis, e estejamos dispostos a obedecer aonde o Senhor nos mandar.

O Reino dos céus precisa ser anunciado, e a mensagem de salvação precisa ser pregada em toda a terra. Hoje há muitos meios de comunicação, e muitas vezes podemos alcançar outras pessoas por meio do rádio, ou TV, ou por meio da Internet, mas ainda a folha impressa, e o testemunho pessoal são usados por Deus para confrontar pessoas com a Palavra de Deus. Não importa para onde, nem quais os meios, o importante é fazer a vontade do Senhor e dizer como disse Isaias: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Victor Arndt - MEDITAÇÕES

17 de setembro de 2018

52 razões para usar folhetos evangelísticos


por Doug Salser

Qualquer cristão comprometido pode usar folhetos e demais literaturas evangelísticas quase em qualquer lugar , quase a qualquer hora!  Escolha o folheto com cuidado, certificando-se de que eles apresentem as palavras de Deus na Bíblia e possuam uma explicação clara e bíblica da salvação. Se você está fazendo um esforço consciente para crescer em Cristo e ser guiado pelo Espírito Santo, Deus vai lhe dar muitas oportunidades para usar folhetos/literaturas para compartilhar o evangelho a cada semana e normalmente todos os dias - se você estiver disposto!

Um bom motivo para usar um folheto é por que...

Oferece um caminho para os cristãos responsáveis para compartilhar o evangelho, muitas vezes e amplamente. É tão fácil de dar a outra pessoa com um sorriso e incentivo para ler.

Explica o evangelho de forma clara e simples para que o leitor possa tomar uma decisão de confiar em Cristo se ele está naquele ponto em seu entendimento e desejo pessoal de acreditar. 

Vai a qualquer lugar com você, trabalho, escola, férias, shopping, restaurantes.

Pode realizar seu objetivo a qualquer hora do dia ou da noite, inverno ou verão, momentos bons ou ruins, "agora" ou "mais tarde".

Pode tirar proveito de um evento especial, eleições, Dia das Crianças, eventos esportivos, levando em conta esse interesse das pessoas e demonstrando a verdade de Deus relacionada a ele.

Injeta verdade espiritual através de mensagens do evangelho especializadas durante as épocas de Natal, Ano Novo, Páscoa, Carnaval, quando as pessoas estão pensando sobre eles.

Adora viajar por pessoa, ou por correio; e muitas vezes é lido por mais de uma pessoa!
Pode ser adaptado a muitos outros formatos - jornais, revistas, blogs e e-mails.

Custa muito pouco, tornando-o fácil de comprar para distribuir.

São tão acessíveis que podem ser usados em quantidade, multiplicando  o seu testemunho.

É portátil, cabe no bolso, bolsa, agenda, bolsa para laptop, porta luvas do carro, etc.

Aborda temas que estão na mídia, bem como tópicos que são atemporais.

Usa uma variedade de formatos de design e estilos que lhe dão muitas opções e favoritos.

Se encaixa em sua rotina normal da vida, se você está vivendo uma vida cristã coerente.

Oferece o ponto de vista de Deus sobre a vida e questões de morte.

Transmite o seu ponto de vista em um formato fácil de ler, breve, adequado para uma mensagem de áudio, mensagens de texto por celular, geração de e-mails.

Atravessa obstáculos educacionais e está disponível em vários níveis de complexidade, das mensagens mais simples às mais elaboradas.

Podem se comunicar em idiomas que você não fala.

Abrange as diferenças de idade e de gênero.

Não requer um grau de conhecimento, dons especiais, treinamento ou experiência de usar.

Nunca muda ou compromete a sua mensagem.

Atravessa barreiras socioeconômicas.

Pode conter a única porção da Palavra de Deus que algumas pessoas já leram na vida.

Nunca argumenta ou perde a paciência, nunca se cansa ou desiste.

Dá a sua mensagem, quando o leitor está pronto a recebê-la.

Continua a repetir sua mensagem tantas vezes quanto necessário.

Servem como pontes étnicas / para atravessar barreiras culturais.

Pode iniciar uma conversa.

Reforça o que você diz sobre o evangelho em uma conversa, ou sermão.

Compartilha a sua mensagem quando uma conversa não é possível, em uma carta, com um pagamento de contas, ou quando você tem apenas alguns segundos com outra pessoa.

Pode abordar temas importantes (quando escrito por um especialista), temas nos quais você não é pessoalmente um perito (em temas de ciência ou pró-vida, por exemplo).

Pode se comunicar com alguém que não sabe ler, que recebe alguém para ler para ele.

Geralmente adiciona sua mensagem a outros fatores do passado do leitor que pode, eventualmente, levar a pessoa à salvação.

Mantém a sua mensagem para que o destinatário possa voltar a lê-lo muitas vezes, se desejado.

Pode orientar a pessoa a confiar em Cristo como Salvador, como ele entende a sua mensagem.
Fornece um ponto de referência para o leitor encontrar ajuda espiritual entrando em contato com a editora, igreja local, ou site listado na parte de trás.

Pode ser usado em saídas da igreja do bairro e em visitação a outros locais.

Pode ser reformatado e usado com permissão da editora/responsável em anúncios de jornal, boletins da igreja ou enviados por correio em datas estratégicas, como Natal, Páscoa, feriados patrióticos, tempos de dificuldade ou desastre.

Pode ser adaptado para a internet (com permissão) para espalhar a sua mensagem entre as pessoas e lugares onde não podiam ou não podem chegar através de papel e tinta: através de e-mail, blogs, sites, redes sociais, etc.

Faz uma apresentação adequada para dar com lembranças de Natal (ou presentes) para os vizinhos a cada ano. Um excelente acompanhamento para dar a todos os frequentadores de programas e eventos da igreja, corais natalinos, de Páscoa e em ocasiões patrióticas.

Adapta-se facilmente em envelopes de pagamento de contas, assim você pode compartilhar o evangelho com pessoas que você nunca vai alcançar de outra forma... enquanto você paga suas contas em dia!

Pode ser dado aos garçons em restaurantes, manobristas de estacionamento, e atendentes de hotéis, depois de uma amigável interação e SE você ofereceu uma gorjeta. Pois assim você aumenta em muito as chances do material ser realmente lido.

Pode ser entregue a qualquer pessoa que o ajudou em uma loja, auxiliou-o no registro, dando-lhe conselhos sobre o produto ou direções para achar um item... Se você exibiu uma atitude cristã durante essa interação.  

Pode ser distribuído no exterior em viagens de curto prazo de missão, estudo, a trabalho ou em férias, no idioma do país a ser visitado.

Pode ser usado com a juventude e em programas infantis para se certificar de que o evangelho é claramente apresentado e levado para casa para que os pais possam também receber a mensagem.
Funciona bem como um auxiliar durante programas especiais de sensibilização da comunidade e eventos como culto ao ar livre, ações sociais, Natal e apresentações de Páscoa, etc.

Pode ser colocado em um balcão de negócios ou aparador de escritório para as pessoas pegarem, em suportes de folhetos em locais públicos, empresas e áreas de alto tráfego, e onde as pessoas fazem muita espera.

Podem ser incluídos em pacotes de socorro e cestas básicas e de Natal que são dadas a famílias carentes.

Pode enfocar diretamente certas crenças falsas, seitas, cultos e religiões, comparando esses ensinamentos à verdade de Deus nas Escrituras.  

Pode ser incluído com um cartão de Natal ou carta anual para um testemunho evangélico claro.
Dá-lhe a oportunidade de compartilhar o evangelho até mesmo no mais breve dos encontros pessoais com clientes ou vendedores, atendentes de estacionamento, motoristas de ônibus, seu médico e sua equipe, motoristas de táxi. Em nosso mundo ocupado você vai ver muitas pessoas na próxima semana que você pode nunca ver de novo, mas graças ao seu ato de semear, muitas delas podem aprender sobre a oferta de Deus de perdão e da vida eterna!

Lembre-se ... quando Deus quis revelar-se a Si mesmo, a Sua vontade e o Seu plano para a humanidade, Ele escolheu a impressão da Bíblia!  Ele vai sempre usar o impresso, contanto que Ele continue a usar a Sua Palavra escrita. Estas razões ilustram porque um folheto evangélico é o melhor "púlpito portátil" que conhece a humanidade!

Traduzido a partir de http://www.litmin.org/materials.php?id=3
 "© Literature Ministries International (www.litmin.org). Reproduzido com permissão."

Fonte blogue Veredas Missionárias

14 de agosto de 2018

Pieta, e seu Porquinho Cor-de-Rosa



Um leitor me pediu novamente a história de Pieta, e seu Porquinho Cor-de-Rosa. Indico o link, publicado aqui no PM, uma história missionária extremamente triste, uma história de rejeição, de morte, mas, contudo, com um final feliz com o perdão de Deus e Sua graça sobre quem foi perseguidor do Evangelho de Jesus. Leia essa história. Compartilhe e deixe o seu comentário. Clique no link abaixo: 

Pieta, e seu porquinho cor-de-rosa

22 de junho de 2018

Por Que, às Vezes, Alguns Missionários Fracassam


Por Que, às Vezes, Alguns Missionários Fracassam e o que a igreja pode fazer a respeito

John Kayser

Certa ocasião, um amigo meu foi enviado para as Filipinas como missionário, e ainda quando ia do aeroporto para seu novo lar, teve um grande choque cultural. Ele se recusava a sair da base da missão, foi ficando retraído e passou a se comportar de um jeito meio esquisito. Os líderes da missão chegaram a pensar em mandá-lo de volta para casa.

Entretanto, depois de quatro dias de sua chegada, dois amigos missionários o pegaram pelo braço e o forçaram a ir dar uma volta com eles. Então, eles o levaram ao mercado, onde ele pôde entrar em contato com cheiros, sons, ver os lugares, e tudo o mais. Também o levaram a um restaurante típico do local, e o fizeram experimentar a comida. Durante esse tempo, eles compartilharam com ele as suas próprias experiências, e isso começou a mudar o seu modo de pensar, fazendo com que ele percebesse que as coisas não eram tão ruins assim. Esses amigos estiveram com ele em todo o tempo durante o seu primeiro ano. No final, ele acabou servindo ao Senhor naquele campo por mais de 25 anos.

Inicialmente, isso tinha tudo para ser um fracasso missionário; contudo, o esforço daqueles dois missionários conseguiu mudar tudo. 

As razões por que os missionários às vezes fracassam são muito complexas. A seguir, alguns dos fatores que podem causar conflitos e fracassos iniciais, segundo alguns pesquisadores:

1. Questões Pessoais, como falta de disciplina, falta de conhecimento e habilidades, necessidades físicas, espirituais ou emocionais, baixa autoestima, e estar sempre na defensiva. 

2. Questões Interpessoais, incluindo a incapacidade de se relacionar com colegas missionários e líderes de campo, bem como dificuldade de resolver conflitos tanto com a liderança, como com pessoas locais.

3. Estresse e Mudanças relacionados à adaptação cultural e linguística, desafios com a educação das crianças, fatores estressantes da comunicação e questões referentes à mudança e relocação em uma nova cultura.

4. Questões Transculturais, incluindo a incapacidade de se relacionar com a cultura ou outras pessoas, recusa ou incapacidade de mudar e adaptar-se a diferentes maneiras de trabalhar, pensar e falar, e falta de flexibilidade para trocar de função e ministérios.

5. Questões Ministeriais da Missão, tais como desafios do trabalho, falta de dons ministeriais, falta de visão e expectativa exagerada (expectativas que tenham sido manifestas).

Embora tudo isso pareça negativo, devemos entender que servir em missões transculturais é uma das transições mais difíceis que uma pessoa pode fazer. Por isso, o papel da igreja é vital, tanto como parceira no envio, como apoiando o missionário.

Então, o que a igreja pode fazer para manter seus missionários no campo? É muito importante envolver-se completamente com eles, independente de qual estágio do processo de filiação na missão eles estejam.

Primeiro, ensine os jovens a terem disciplina em sua vida pessoal e espiritual. Procure transmitir-lhes visão de trabalho com povos não alcançados e providencie para que tenham experiência com evangelismo (antes de irem para o campo). Incentive-os a serem pessoas flexíveis, por causa da variedade de experiências ministeriais que eles terão em vários contextos, bem como a ter disposição para servir debaixo de liderança, e junto com outras pessoas.

Segundo, avalie juntamente com eles o seu chamado para missões e seu andar com Deus. Este é um chamado sagrado – precisamos honrar o desejo deles em servir dessa maneira. Invista no crescimento de sua capacidade de administrar, interações interpessoais, e dons ministeriais. Obviamente, isso significa que haverá atividades e ministérios fora da igreja – em comunidades e em contextos transculturais.

Terceiro, caminhe com eles através do processo de candidatura, nos primeiros anos no campo, e também no seu ministério a longo prazo. Não deixe a tarefa de acompanhá-los somente para a organização missionária; escreva pra eles, ore por eles, visite, aconselhe, incentive. Conheça seus planos de ministério, expectativas, programação e disciplinas diárias; isso não será invasivo se você os estiver enviando e apoiando. Conecte-os à missão, fazendo com que saibam da parceria que ela pretende com eles. É muito bom quando o missionário, sua igreja, e a organização conseguem se unir para desenvolver o ministério.

E, por fim, certifique-se de que em suas viagens de furlough (um tipo de férias pra levantar sustento e visitar mantenedores e familiares), os missionários consigam separar algum tempo para o seu descanso pessoal. Eles frequentemente voltam ao campo mais exaustos do que quando partiram, e isso por causa de todo o esforço para manter e desenvolver sua equipe de mantenedores, e as visitas que precisam fazer.

Acima de tudo, crie equipes de oração que os apresentem constantemente ao Senhor, para que possam superar essas dificuldades, e para que o Espírito os dirija e os faça frutificar. 

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JOHN KAYSER nasceu e foi criado na Etiópia, e juntou-se à Bethany International em 1993, como consultor de treinamento missionário. Seu modelo de treinamento estimulou mais de 300 escolas de treinamento missionário, em dezenas de países.

Photo: Ben White

Fonte
https://www.mensagemdacruz.online/blogs/news/por-que-as-vezes-alguns-missionarios-fracassam

16 de junho de 2018

Oferta missionária, graça de Deus


Hernandes Dias Lopes

"A Bíblia diz que a contribuição não é um peso...", mas uma graça e graça é um dom imerecido (2Co 8.1). A contribuição não é apenas algo que oferecemos a Deus, mas sobretudo, um favor que Deus concede a nós. Deus nos dá o privilégio de sermos parceiros no grande projeto de evangelizarmos o mundo e assistirmos os santos. A contribuição é uma semeadura e o dinheiro é uma semente. A semente que se multiplica é a que semeamos e não a que comemos. Quando semeamos com fartura, colhemos com abundância (2Co 9.6). Quando semeamos coisas materiais, recebemos bênçãos espirituais na mesma medida que aqueles que semeiam as coisas espirituais, recolhem bens materiais (1Co 9.11).

Como devemos contribuir para a obra missionária?

Em primeiro lugar, devemos contribuir com alegria (2Co 9.7). A contribuição deve ser um momento de grande alegria. Dar com tristeza para a obra de Deus não tem sentido, pois antes de Deus aceitar a oferta, Ele precisa aceitar o ofertante. O Senhor Jesus diz que mais bem-aventurado é dar do que receber (At 20.35).

Em segundo lugar, devemos contribuir com proporcionalidade (1Co 16.2). A proporção é o melhor sistema da contribuição. Não deve existir sobrecarga para aquele que tem pouco nem insensibilidade por aquele que tem em abundância. O apóstolo Paulo coloca esse princípio da seguinte maneira: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância aqueles venha suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: o que muito colheu não teve demais; e o que colheu pouco não teve falta.”

Em terceiro lugar, devemos contribuir com regularidade (1Co 16.2). A contribuição deve ser regular, metódica e sistemática. Assim como as necessidades dos missionários são constantes, as ofertas precisam também ser constantes. As ofertas missionárias não devem ser esporádicas e espasmódicas, pois as necessidades são diárias. Não podemos reter em nossas mãos os recursos que devem promover o avanço do reino de Deus e o sustento dos obreiros do reino. A obra missionária é uma tarefa de toda a igreja. Aqueles que vão não devem receber nem menos nem mais do que aqueles que ficam guardando a bagagem (1Sm 30.24).

Em quarto lugar, devemos contribuir com sacrifício (2Co 8.3-5). Não contribuímos apenas com as sobras, mas, sobretudo, com o que nos é essencial. Devemos dar não apenas da nossa riqueza, mas também da nossa pobreza, sabendo que Deus é quem multiplica a nossa sementeira para continuarmos investindo na sua obra (2Co 9.10). Os crentes macedônios nos dão o exemplo: “Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também se deram a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus” (2Co 8.3-5).

Em quinto lugar, devemos contribuir com senso de adoração (Fp 4.18). A oferta missionária é como aroma suave e como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. Na mesma medida que assistimos as necessidades dos santos, tributamos culto de adoração a Deus com nossas ofertas. A contribuição cristã não é apenas algo financeiro. Ela desencadeia reflexos no céu e na terra; ela toca o coração de Deus e o coração dos homens.

Via http://www.sepal.org.br

28 de maio de 2018

10 Atitudes missionais para 2018


Dez atitudes missionais a serem consideradas:

1. No meu tempo de meditação pessoal na Palavra, vou buscar evidências da compaixão de Deus pelas nações


Se você procurar por essas evidências, irá encontrá-las por toda a Bíblia. Marque os textos sempre que você as vir. O Deus que chamou Abraão para ser uma benção para as nações (Gênesis 12:1-3) é o Deus que merece o culto de todos os povos, tribos, línguas e nações (Apocalipse 7:9-10).

2. Vou buscar conhecer os nomes de missionários, e orar por todos eles ao menos uma vez por semana


Talvez você já conheça vários missionários. Caso contrário, peça a seu pastor para ajudá-lo a se conectar com alguns por quem você possa orar. Visite regularmente o nosso site ou de outras agências missionárias (o site da AMTB tem uma lista extensa de agências brasileiras) para conhecer novas histórias e poder orar com intencionalidade.

3. Aprenderei sobre e orarei semanalmente por povos não alcançados no mundo

Visite o site do Joshua Project (em inglês), e faça uma pesquisa. Em oração, escolha um povo e ore para que o Evangelho chegue até o povo. Considere esta verdade: você pode ser uma das poucas pessoas no mundo orando por esse grupo.

4. Vou aprender sobre os estrangeiros na minha comunidade e irei, intencionalmente, conhecê-los


Missões começa em casa, especialmente quando Deus está trazendo as nações até nós. Precisamos olhar com amor para os migrantes que estão chegando ao nosso país. Fique atento, descubra quem está ao seu redor. Conheça-os. Compartilhe o Evangelho com eles. Ore por eles. Desacelere e se proponha a conhecer essas nações ao seu redor. Vá ao encontro delas, convide-as para sua casa. Você pode se surpreender com o quão abertas as pessoas estão para passar um tempo com você e falar sobre assuntos espirituais.

5. Planejarei e participarei de uma viagem missionária este ano

 
A maioria de nós pode ir a algum lugar, mesmo que seja em nosso próprio país. Há hoje pelo menos oito grupos no Brasil que são considerados os menos evangelizados. Você pode ir a qualquer um desses grupos. Planeje, separe um pouco de suas economias e do seu tempo para ser testemunha entre as nações. Se você não pode ir este ano, planeje dar um apoio financeiro para que outra pessoa vá. Um sacrifício para que muitos possam ouvir as boas novas.

6. Vou ouvir e ler as notícias através das lentes da Grande Comissão

Ao saber o que está acontecendo no mundo, ainda que as notícias sejam ruins, pense no que pode acontecer espiritualmente nos países de onde vêm essas informações. Ore pelos crentes e missionários que estão lá. Depois, ore pelas pessoas que não conhecem a Jesus. Não fique perturbado com as notícias – deixe que elas levem você a ficar de joelhos.

“Não fique perturbado com as notícias – deixe que elas levem você a ficar de joelhos”

7. Vou conhecer a culinária em minha região para interagir com estrangeiros


É ótimo conhecer a diversidade culinária dos países. Mais do que provar os diferentes sabores, proponha-se a também interagir com quem os está preparando. Em um restaurante de comida internacional ou comprando um quebab do vendedor ambulante, procure conhecer quem são estes estrangeiros e de qual contexto vieram. Pergunte sobre sua fé. Vá a esses lugares regularmente e conheça pessoas em sua comunidade que estejam precisando de Jesus. Creio que você encontrará muitos estrangeiros dispostos a conversar e compartilhar.

8. Orarei pelos pastores e por minha igreja para que continuem nutrindo uma paixão real e crescente pela Grande Comissão
 

Não há igrejas focadas intensamente em missões sem que o pastor e seus obreiros sejam comprometidos com a Grande Comissão. As igrejas raramente desenvolvem uma paixão que não venha do púlpito todos os domingos. Ore pelo seu pastor e sua igreja e depois siga o caminho que ele está apontando para as nações.

9. Irei envolver-me com os movimentos de erradicação da carência bíblica

 

Há um movimento acontecendo em todo o mundo neste momento para traduzir a Bíblia até as últimas fronteiras àqueles povos que ainda não têm acesso a ela, distribuir a Escritura para aqueles que têm acesso e por um motivo ou outro não têm sua própria Bíblia, e incentivar o conhecimento e a prática da Palavra entre aqueles que têm acesso, mas não vivem os princípios bíblicos. Você pode fazer parte disso orando (veja o compromisso internacional de oração em End Bible Poverty Now – em inglês), contribuindo ou mesmo distribuindo Bíblias em cada um dos 50 milhões de lares no Brasil. Pode também informar-se sobre o movimento A Bíblia em Cada Casa e acompanhar as ações que estão acontecendo por todo o país (página ABECC).

10. Considerarei e responderei com sinceridade à pergunta: “Deus está me chamando para ser missionário em tempo integral?”


Todo crente deve fazer-se e responder a esta pergunta. Esteja aberto ao chamado de Deus e ouça bem através de Sua Palavra, Seu Espírito e Seu povo. E, à medida que você estiver orando dessa maneira, ore para que seus filhos e seus netos façam o mesmo.

Sugerimos várias coisas aqui. Não se preocupe em cumprir todos esses objetivos, mas comece de algum lugar. Mesmo se você escolher apenas uma atitude missional para este ano já será excelente, especialmente se nunca antes teve uma resolução desse tipo. Faça algo em missões – e tenha um ano abençoado e obediente!

*Extraído de “10 Resolutions for Missions in the New Year”, de Chuck Lawless, traduzido e adaptado ao contexto brasileiro.

JOCUM BRASIL Comunicação trabalha para conectar você ao mundo missionário, e é entre outras coisas responsável por este Website. 


Fonte: http://www.jocum.org.br/10-atitudes-missionais-para-2018/

18 de maio de 2018

Missionário Celso Lopes dos Santos


Quero reproduzir hoje a postagem de 05 de junho de 2009, que insere uma reportagem publicada no Boas Novas (AD-RS) do Missionário Celso Lopes dos Santos, alguém que marcou muito o Reino de Deus e que hoje, infelizmente, caiu no esquecimento. 

Celso Lopes dos Santos – Conhecido missionário brasileiro dos anos 70, falecido em um acidente de avião no ano de 1981. Foi muito estimado pela Igreja no Brasil, por onde andou de norte a sul deste país, pregando a Palavra de Deus em cruzadas evangelísticas com sinais e curas, prodígios e maravilhas.

Trecho de uma reportagem sobre o Missionário Celso Lopes dos Santos: “Sua passagem entre nós foi meteórica. Em pouco tempo viemos a conhecê-lo e vê-lo partir para estar com o Senhor a quem tanto amava. Em fevereiro esteve aqui pela primeira vez com a Cruzada Evangelística “Cristo é a Resposta”.

Em março, ei-lo que volta no mesmo serviço e daqui é chamado para outro lugar melhor. Mas, dessa curta passagem ficou-nos a imagem do verdadeiro homem de Deus, cuja vida, abrasada de amor pelas almas, ardia no altar do sacrifício. Era um homem totalmente ocupado na Seara do Senhor. Seu tempo não dava para atender ao muitos convites que recebia anualmente, tanto no Brasil quanto no exterior. Seu ministério era marcado pela presença do sobrenatural, pois, como gostava de afirmar, no início de suas atividades evangelísticas há 13 anos atrás, lutara muito com Deus a fim de que Ele confirmasse a Palavra pregada com sinais notórios. E o Senhor não se fez de rogado.

Ao longo desse tempo, pessoas eram ressuscitadas, curadas, libertadas e batizadas com Espírito Santo pelo poder de Jesus, como aconteceu em um dos seus últimos trabalhos em Capanema, quando uma pessoa há vários anos paralítica, foi miraculosamente curada.

Quem foi ao culto no dia 31 longe estaria de supor que via e ouvia Celso Lopes pela última vez. Mas até o teor de sua mensagem foi diferente nessa noite. Movido por um estranho impulso, chegando a afirmar “não sei o quê...”, ao assomar a tribuna enfatizou que “nesta noite estarei entregando à Igreja uma palavra de consolação”, e de acordo com 1Pe 1.8, falou sobre a função consoladora do Espírito Santo que, ao falar de Jesus, faz-nos amá-Lo mesmo não O tendo visto e, concluindo, disse, entre outras coisas: "Ao chegar no céu desejo ver Abraão e todos os patriarcas, mas primeiro eu quero meu Salvador, porque eu não vejo a hora de ver meu Salvador...”.

Pela manhãzinha esse anelante desejo foi satisfeito: Partiu, como queria, para viver com quem queria. Ficamos pesarosos naturalmente, mas consola-nos saber que, para o crente, a morte não é o fim.

http://paginasmissionarias.blogspot.com.br/2009/06/evangelismo-e-missoes-xiv.html

30 de abril de 2018

Associação Missionária de Mobilização Evangelística, AMME Evangelizar


Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o pastor José Bernardo, presidente e fundador da Associação Missionária de Mobilização Evangelística, AMME Evangelizar, que esteve presente em nossa igreja de Vacaria, RS, onde pregou a mensagem “A Avaliação Divina que o Crente e a Igreja vão passar”, de acordo com Mc 16.15. Sua visita foi muito valiosa, pois faz tempo que venho acompanhando o trabalho dessa obra missionária que está sendo benção de Deus para a igreja brasileira e fora do Brasil também, na área tão importante e vital da evangelização.



AMME evangelizar é a Agência Missionária de Mobilização Evangelística, um ministério brasileiro, fundado no ano 2000 pelo pastor José Bernardo, com o propósito de ajudar as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir sua missão de evangelizar todo mundo.

Essa agência missionária cumpre seu propósito motivando, treinando, suprindo e apoiando estrategicamente as igrejas evangélicas brasileiras na evangelização. Desde sua fundação a AMME já alcançou mais de 140.000.000 de pessoas com a mensagem do Evangelho.

Esse é um dos ministérios que podem ajudar sua igreja a cumprir a Visão 2030, em apresentar o Evangelho a todos os jovens, adolescentes e crianças, para que dêem fruto e isso com urgência.

Web: www.ammeevangelizar.org
Face: www.fb.com/AMMEevangelizar/
E-mail: portal@ammeevangelizar.org
Telefone: (11) 4428 3222

Recursos

Pacificadores: Nós cremos que adolescentes e jovens cristãos podem e devem liderar. Como todo crente, eles também podem ser sal da terra e luz do mundo, viver em santidade e cumprir a missão bíblica de pregar o Evangelho a toda criatura. Para isso eles precisam ser treinados de acordo com as suas habilidades e capacidades. O Pacificadores é a escola de liderança de duas semanas que a AMME realiza nas férias de janeiro.

Livro da Vida: A AMME mantém três programas de distribuição de porções bíblicas: O Livro de Marcos (voltado para os adolescentes), A História de Deus (direcionado para crianças entre 6 e 10 anos) e Os Amigos de Jesus (para evangelização de crianças abaixo de cinco anos e seus responsáveis).

Bíblia Kids: Esse material é um aplicativo desenvolvido em parceria com a One Hope e YouVersion. A Bíblia Kids é ilustrada em flat-design, bem colorida e adequada às telinhas, oferecendo a opção de ler ou escutar histórias. As ilustrações são interativas e estimulam a criança a descobrir as áreas sensíveis para interagir.

Oficinas: Na área de treinamento, a AMME oferece diversas oficinas para capacitar desde o uso de recursos específicos até o treinamento de líderes e metodologia de estudo bíblico. As oficinas são as seguintes: VOS (interpretação bíblica), Acende a Luz (evangelização pessoal), ViB (evangelização de adolescentes) e Circuito Áquila (evangelização infantil).

Cidade Forte: A AMME Evangelizar está construindo uma base missionária para treinar uma nova geração de líderes da Igreja Brasileira. Ela oferecerá serviços missionários às igrejas: treinamento transcultural, cuidado missionário, escolas de missões e seminários.

Fonte: http://www.visao2030.org/v30par/ammeevangelizar/

Ver também:
https://paginasmissionarias.blogspot.com.br/2011/05/missao-amme.html

16 de abril de 2018

Oremos pela Síria



Um levante pacífico contra o presidente da Síria que teve início há sete anos transformou-se em uma guerra civil que já deixou mais de 400 mil mortos, devastou cidades e envolveu outros países.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) calcula que mais de 5 milhões já deixaram o país – o maior exôdo da história recente.

Em 13 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país havia iniciado na madrugada anterior uma série de ataques aéreos na Síria em coordenação com a França e o Reino Unido.

A operação é uma resposta às evidências de um ataque químico na cidade síria de Douma, na semana passada. EUA e aliados denunciam que o ataque foi protagonizado pelo regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, que por sua vez nega tal participação.

Segundo o Pentágono, foram atingidos um centro de pesquisas científicas em Damasco, que seria ligado à produção armas químicas e biológicas, um local de armazenamento de armas químicas a oeste de Homs e outro armazém que também funcionava como importante posto de comando, na mesma região.morreram.

Fonte BBC.com (14 de abril de 2018)
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Perseguição aos cristãos na Síria

A Constituição garante liberdade religiosa, embora haja restrições e laços com grupos fundamentalistas que são contrários aos cristãos. Os ex-muçulmanos sofrem com a desconfiança que paira na sociedade, causada pela polícia secreta. Eles têm medo de contar suas histórias às pessoas, até mesmo aos amigos. E a igreja, por sua vez, tem medo de receber esses convertidos, pois desconfia de que possam ser agentes do governo disfarçados – o que não é impossível de acontecer.

Há também a pressão que a família e a sociedade aplicam aos que abandonam o islamismo. Essas convenções sociais fazem com que a conversão de um muçulmano ao cristianismo seja muito rara. 

Dentro do contexto de guerra, o Estado Islâmico controla grande parte do país, e com a crescente influência dos jihadistas islâmicos nas forças da oposição, os cristãos tornaram-se um grupo cada vez mais vulnerável, vivendo em zonas controladas em todo o país. Recebemos relatos de muitos sequestros de cristãos, alguns agredidos fisicamente e muitos são mortos. 

Um novo desenvolvimento na guerra civil da Síria, durante 2015, foi a intervenção da Rússia. Além disso, a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha planejaram intervenções após os ataques de Paris em novembro. Isto não foi suficiente para salvar o regime sírio. E, exaustos, os cristãos devem continuar fugindo do país. Há muitos cristãos sírios deslocados internamente de Homs, Aleppo e outras áreas. A Portas Abertas, por meio de igrejas locais, tem cuidado e apoiado esses cristãos.

Entretanto, em meio a toda a violência e perseguição, há também vislumbres de esperança. Embora muitos cristãos tenham deixado o país – e continuarão a fazê-lo – ou foram deslocados internamente, há irmãos que estão sinceramente comprometidos em permanecer na Síria e a servir o país, especialmente no meio dessa guerra civil. Também foi relatado um crescimento no número de pessoas que se converteram a Cristo.

Para todos os tipos de cristianismo, grupos militantes islâmicos são uma ameaça clara. A família é a principal fonte de perseguição para os convertidos do islamismo. As autoridades governamentais são conhecidas por restringir as atividades dos cristãos para prevenir a instabilidade. Eles podem ser interrogados e monitorados. Esse movimento às vezes é instigado pela família dos cristãos ex-muçulmanos ou igrejas históricas. O discurso do ódio contra cristãos por líderes islâmicos ocorre, mas não é permitido em áreas controladas pelo governo. Os líderes religiosos muçulmanos também são conhecidos por exercer pressão sobre os convertidos do islamismo, direta ou indiretamente, por suas famílias ou agências de segurança.

Devido à exposição pública, especialmente os líderes das igrejas históricas são alvo de sequestro. Mas as congregações também estão em uma posição vulnerável, pois são conhecidas pela orientação ocidental, a fragmentação, a falta de liderança forte e a falta de um porta-voz estrangeiro (por exemplo, como um papa ou bispo) que possam falar em seu nome.

Em áreas controladas por grupos islâmicos radicais, a maioria das igrejas históricas foram demolidas ou usadas como centros islâmicos. As expressões públicas da fé cristã são proibidas e os prédios ou monastérios da igreja não podem ser reparados ou restaurados, independentemente de o dano ter sido colateral ou intencional. Nas áreas controladas pelo governo, há menos monitoramento de cristãos devido às circunstâncias da guerra. A reputação política das denominações, das igrejas e dos líderes das igrejas locais desempenha um papel importante no nível de perseguição ou opressão que enfrentam de grupos que estão lutando contra o presidente Assad.

Cristãos ex-muçulmanos são especialmente pressionados pela família, pois a conversão lhes traz uma grande desonra. Isto é particularmente verdadeiro em boa parte das áreas sunitas, onde os convertidos correm o risco de serem expulsos das casas de seus familiares. 

Fonte: Portas Abertas.org.br

4 de março de 2018

Afinal, você sabe quem são os povos não alcançados?


Do blog Veredas Missionárias

“Povos Não-Alcançados” é um termo que começou a ser usado com mais intensidade na Missiologia moderna na última parte do século 20. É uma referência para designar povos, nações ou áreas geográficas do mundo com pouca densidade ou influência cristã e evangélica. Em outras palavras, são áreas do mundo que compreendem povos, idiomas, culturas e tradições, onde o Evangelho ainda não chegou e a Igreja não existe. Estes grupos humanos e etnias são chamados de povos não-alcançados. Portanto, o Natal e a Páscoa não são celebrados porque discípulos não comunicaram o Evangelho entre eles. Clamam pelo envio de missionários biblicamente treinados e devidamente contextualizados, a fim de que a Igreja e a esperança em Cristo se tornem uma realidade no meio deles. Esse é o plano de Cristo conforme Mateus 24.14 e Atos 1.8.

Povos não-alcançados – um desafio

Segundo pesquisas apresentadas por especialistas no Congresso de Lausanne, realizado em 1974, na Suíça, um marco extraordinário do cristianismo mundial, naquela época, eram cerca de 16 mil povos do mundo ainda sem nenhum contato com o Evangelho. A evangelização se intensificou a partir de então e em Lausanne II, em 1989, em Manila, nas Filipinas, o número de povos não-alcançados caiu para 8 mil. Segundo a Missiologia atual, hoje existem pouco mais de 2.200 grupos étnicos sem a presença cristã e cerca de 4 mil povos sem uma evangelização forte para alcançar a sua própria etnia. Estes clamam pela ação missionária do discípulo de Cristo e da Igreja. Jesus mandou fazer discípulos de todas as nações. As etnias são mosaicos da criação de Deus e não uma anomalia do plano de Deus.

Oswald Smith, um grande estudioso de missões, no início do século 20 foi pastor da Igreja dos Povos em Toronto, no Canadá. Sua igreja sustentou mais de 300 missionários no mundo. Ele conta, em um dos seus livros, uma história interessante. Suponha, diz ele, que você tenha convidado muitas pessoas para a sua festa de aniversário. A alegria é intensa entre os presentes.

Chegou a hora de cortar o bolo. Os pedaços do bolo são colocados nas bandejas e os garçons começam a distribuí-los. As pessoas que estão na frente comem o primeiro pedaço e, também, o segundo pedaço. Alguns até três pedaços. Suponha que o bolo acabe. As pessoas do meio e de trás nem sequer experimentaram um pedacinho. Ninguém se preocupou em distribuir para todos primeiramente. Imagine que você é o aniversariante. Estaria contente? É justo? Assim, da mesma forma, há pessoas que ouvem o evangelho uma, duas ou mais vezes. Há outras, porém, que nem sequer ouviram uma só vez. É justo? Existem povos e regiões do mundo assim.

Uma outra expressão muito usada, chamando a atenção da Igreja para maior mobilização em oração e ação missionária, é a Janela 10/40. É uma referência ao mundo budista, hinduísta e islâmico com pouca ou nenhuma presença cristã. São autênticos “cinturões” de resistência. E o desafio muçulmano naquela região é gigantesco. São cerca de 42 países de maioria islâmica localizados no Oriente Médio, Norte da África e Sul da Ásia. Na Europa ocidental existem mais de 15 milhões de muçulmanos e a maioria é não-alcançada. Sim, eles também precisam da graça do Pai!

Povos não-alcançados – uma prioridade

O livro de Romanos pode ser considerado um tratado missionário. É o livro que contém os pressupostos bíblicos e missionários de Paulo. Ele queria deixar o Oriente e levar o Reino de Deus ao Ocidente (Rm 15.23-24). Sua estratégia para concretizar este objetivo envolvia a igreja em Roma. Como era a capital do Império à época, portanto, um lugar estratégico, Roma era o centro do mundo cultural e político. Paulo percebeu que a igreja poderia ser um centro de apoio muito importante para o avanço do Reino no Ocidente. Ele fez uma exposição teológica do plano e missão de Deus a fim de conseguir o envolvimento missionário da igreja. Após essa elaboração, Paulo fala de suas intenções missionárias. Seu ministério no Oriente terminara (15.17-23) e o alvo agora era a Península Ibérica (15.24). Tencionava passar pela igreja em Roma, ter momentos de comunhão e edificação com ela e, também, desafiá-la para o envolvimento na extensão do Reino de Deus. Naquela altura, a Espanha era a região mais recôndita do mundo.

Paulo declara aos crentes de Roma, então, que sua presença não era mais necessária (Rm 15.23). Porém, o pano de fundo dessa afirmação era o objetivo que ele tinha em mente: evangelizar grupos étnicos sem a presença cristã (Rm 15.20-21). Apesar de ainda haver necessidade da pregação do Evangelho para alcançar mais pessoas, de organizar mais igrejas e de preparar mais discípulos em Roma, Paulo prioriza missões em áreas não-alcançadas, isto é, anunciar as Boas-novas onde Cristo não houvera sido anunciado.

Em Romanos 1.16-17 Paulo apresenta a definição do Evangelho, sua natureza e universalidade. A mensagem é para todos: judeus, gregos, bárbaros, sábios e ignorantes, e a salvação é para “todo aquele que crê”. No capítulo 10.14-15, ele é mais enfático quando pergunta: “Como crerão naquele de quem não ouviram falar?”. Em Romanos 3.21-31 afirma que apenas a fé em Cristo pode salvar o homem do pecado. Deus revelou a sua justiça “pela fé em Jesus Cristo para todos os que creem” (3.22). Note-se que a justiça vem de Deus e é para “os que creem”. Entende-se “justiça” aqui não como a natureza de Deus, nem a qualidade moral do ser humano, mas o meio divino para a salvação do homem (3.25).

Já que a consciência, a natureza (gentios) e a lei (judeus) se tornaram impotentes para salvar o homem, o único meio possível no plano divino é pela fé em Cristo. Como o ser humano pode responder sem ouvir? Não há nenhuma possibilidade de salvação sem o Evangelho. O caminho de Deus para a salvação chegou até nós pela revelação e precisa ser anunciada (Rm 10.8-17, 16.25-26).

O que isso tem a ver com você e sua igreja?

O livro de Romanos demonstra como teologia e missão, fé e vida, convicção e missão andavam juntas em Paulo. Por isso, a Espanha precisava ser evangelizada (Rm 16.25-27). O apóstolo tinha uma consciência clara e profunda de história e de seu tempo, acerca da hora e do lugar onde começar, fronteiras a conquistar e filosofia a nortear o ministério. O capítulo 15.19 fala sobre a hora, o lugar e as fronteiras a conquistar. Em Romanos 15.20-21, Paulo testifica da filosofia que norteava o seu ministério e sua vida. Tinha prazos para sair (vs. 23 e 24). As expressões “Passa a Macedônia e ajuda-nos” e “confins da terra” dão-nos várias implicações missionárias para a Igreja no século 21. Quais as áreas não evangelizadas e não alcançadas hoje? O que a sua igreja pode fazer por elas?

O slogan usado por William Carey, o Pai das Missões Modernas, “Espere grandes coisas de Deus; faça grandes coisas para Deus”, ainda é tão relevante e desafiador hoje como foi há 250 anos. Portanto, seja um instrumento para viabilizar o plano do Deus na Janela 10/40, no mundo islâmico etc. Sim, os muçulmanos e os não-alcançados precisam da graça do Pai. O Senhor nos chama para ser Seus instrumentos da criação e redenção em Cristo. Jesus disse: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14). Deixar os não-alcançados sem o Evangelho do Reino, como é o caso das tribos indígenas, os sertões do Nordeste brasileiro, o mundo budista, hinduísta e islâmico, é uma agressão ao plano mundial de Deus e uma violência à nossa vocação e missão. Mais de 2000 anos já se passaram. Até quando?

Fonte: Revista do Promotor de Missões (2011). Junta de Missões Mundiais da Igreja Batista Brasileira.

17 de fevereiro de 2018

Potosi: O Inferno Mineiro na terra da prata


"Tio" – como é conhecido o diabo que habita o interior do Cerro Rico. Dentro da mina, para nós Deus não existe. Por isso homenageamos o Tio, para que ele nos proteja de acidentes e da morte". A veneração dos mineiros à figura do diabo facilita uma conclusão esclarecedora: a de que, com a alma vendida à prata, só resta a esses homens conformar-se com a vida no inferno.

A Cidade de Potosí é a capital da Província de Tomás Frías e do Departamento de Potosí, na Bolívia. Sua população, no censo de 2009, era de 194.298 habitantes. Situada na Cordilheira dos Andes, à altitude de 3.967 metros, é uma das cidades, geograficamente, mais altas do mundo.

Há muita cultura a ser compartilhada para quem visitar Potosí. Sua população é na maioria bem humilde, em geral, pessoas com baixo nível de escolaridade e de renda baixa. A população boliviana tem a face marcada geralmente por traços de ascendência indígena, com pele morena e cabelos e olhos escuros.

Foi fundada em 1546. Em 1611, já era a maior produtora de prata do mundo e tinha cerca de 150.000 habitantes. Alcançou seu apogeu durante o século XVII, tornando-se a segunda cidade mais populosa (atrás de Paris) e a mais rica do mundo, devido à exploração de prata enviada à Espanha. No entanto, em 1825, a maior parte da prata já se tinha esgotado e a sua população desceu até os 8.000 habitantes. No começo do século XX, a exploração de estanho se incrementou pela demanda mundial e, como consequência, Potosí voltou a experimentar um crescimento importante. Leia.

Ela já foi tão populosa quanto Madri e Paris; e na primeira metade do século 17, metade da prata que circulava no mundo saía de suas montanhas. Mas hoje, a cidade de Potosi está no estado mais miserável da Bolívia. Do passado de riqueza proporcionado pelo minério, restou o flagelo da silicose, a doença que mata os mineradores aos 45 anos de idade

Marcel Vincenti

Carmelo Ticona é um boliviano de 28 anos, e sabe que lhe resta pouco tempo de vida. Morador da cidade de Potosi, família pobre, ele não teve escolha: adotou, ainda adolescente, a profissão que, no fim das contas, era seu destino certo e inadiável, a mineração.

Apesar de seguir uma tradição familiar, a busca de riqueza não é o seu objetivo; a falta de oportunidades é o que está em pauta. Mas Carmelo tem consciência do que resulta lutar, dentro das minas, pela sobrevivência: uma morte prematura. "Sei que posso morrer a qualquer momento, em algum acidente ou com a (doença pulmonar) silicose. É o destino do mineiro. Nós não vivemos muito", diz resignado.

Tanto na ocupação como na lucidez, Carmelo não está sozinho. Ele integra uma legião de, aproximadamente, 13 mil mineiros, que, hoje, vasculham as entranhas da montanha-símbolo de Potosi – e também da Bolívia. Eles trabalham dentro do Cerro Rico. Foi aos pés desse enorme cone de pedra que, em 1545, o pastor de lhamas Diego Huallpa viu aflorar, à luz da fogueira, uma pequena quantidade de terra prateada. Não demorou para que os espanhóis, na condição de colonizadores, começassem a ordenar diversas escavações. A extensão das reservas argentíferas que eles encontraram pode ser medido pela quantidade de prata que extraíram. Segundo documentos da Casa da Moeda de Potosi, entre 1545 e 1825 – ano em que a Bolívia conquistou sua independência - tirou-se da montanha aproximadamente 35 mil toneladas do nobre metal.

Potosi tornou-se, ainda no século 16, uma das urbes mais ricas e cobiçadas da colônia; em 1640, época em que metade da prata comercializada no mundo saía do Cerro Rico, sua população de 160 mil almas rivalizava com a de capitais como Paris e Madri. Paróquias, havia 14. Conventos, cinco. Prostitutas, mais de 120. E, reza a lenda, até as ruas da cidade estavam banhadas com argento. A Coroa Espanhola e seus credores exultavam. Mas a opulência – e a perspectiva de uma riqueza sem fim, trouxe também a degradação da vida dos indígenas.

Coube ao vice-rei Francisco de Toledo instaurar em Potosi, em 1575, o sistema de "mitas", que obrigava boa parte dos nativos locais a labutar dentro das minas, em situação análoga à da escravidão. A eles juntaram-se punhados de negros, trazidos de Angola e Cabo Verde. E o trabalho, como se pode imaginar, era árduo: equipados com picaretas, velas de sebo e quase nenhum acessório de segurança, homens adultos, adolescentes e crianças se embrenhavam nos túneis do Cerro Rico para, durante horas a fio, remover e transportar o minério de prata rumo à cidade; dali ele seguiria para o porto de Arica, no Pacífico – de onde seria, finalmente, exportado para a Europa.


O "Tio", personagem da cultura de Cerro Rico, preside o ambiente contaminado do interior da mina

Desmoronamentos e doenças pulmonares causadas pela poeira de sílica – composto venenoso que flutuava no ar viciado das minas – abriam ao destino dessas pessoas duas vias: a de uma morte súbita, ou a de um definhamento longo e doloroso. E ninguém podia se rebelar: a recusa ao trabalho mineiro era punida com a pena capital. Em seu "As Veias Abertas da América Latina", o historiador uruguaio Eduardo Galeano calcula que, entre os séculos 16 e 19, cerca de oito milhões de pessoas tenham morrido em decorrência do trabalho no Cerro Rico. A prata praticamente acabou. Mas, longe de assustar a cultura mineira, a exploração da combalida montanha ainda segue viva – e letal.

Embora tenha sido, entre os séculos 16 e 17, uma das principais fontes de riqueza da Coroa Espanhola na América, Potosi é hoje a capital do Estado mais miserável da Bolívia – que, por sua vez, é o país mais pobre da América do Sul. Com a prata exaurida, carente de indústrias e situado a quatro mil metros acima do nível do mar, a única coisa que o lugar ostenta atualmente são dados estatísticos alarmantes.

Do Cerro Rico o que mais se tira agora é chumbo, zinco, estanho e prata de baixa qualidade – num esquema de cooperativa

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas boliviano, 36% da população do Estado de Potosi vive em condição de indigência. A taxa de mortalidade infantil é de 59 óbitos para cada mil nascimentos, e 28% dos potosinos com mais de 15 anos são analfabetos.
Mesmo carente de seu metal mais precioso, ainda hoje o mercado de extração de minérios é responsável por 39% do PIB potosino. Para que se tenha uma ideia: o setor industrial representa apenas 3,5% do PIB local; e a agricultura, uns 10%. Do Cerro Rico o que mais se tira agora é chumbo, zinco, estanho e prata de baixa qualidade. Os mineiros trabalham em esquema de cooperativa (são mais de 40, operando as 180 minas ativas da montanha), e vendem os minérios para as 31 refinarias da cidade. A maioria desses trabalhadores assegura: não consegue receber mais de dois mil bolivianos (cerca de 500 reais) por mês.

Ao contrário do salário, o custo de tal empreitada é alto: de acordo com Gualberto Astorga, pneumologista da Caixa Nacional de Saúde – hospital de Potosi que atende a maioria dos mineiros doentes, a expectativa de vida de um trabalhador do Cerro Rico é de apenas 45 anos (em toda a Bolívia, as pessoas vivem, em média, 66 anos, e, no Brasil, 73 anos). A principal razão: a silicose, doença causada pela saturação da poeira de sílica nos pulmões dos mineiros. A moléstia é incurável e, se não for tratada, faz a vítima definhar até impossibilitá-la de respirar por suas próprias forças, matando-a.

"Em geral, eles (os mineiros) apresentam os primeiros sintomas de silicose dez anos depois de terem começado a trabalhar na mina", diz Astorga. "Se, a partir daí, mudassem de emprego, conseguiriam preservar a saúde. Mas o problema é que eles não têm outra coisa a fazer, e se conformam. As esposas nem choram quando, mais tarde, damos a notícia do óbito".


Potosi venera Pacha Mama, a divindade indígena Mãe Terra

À explicação do médico junta-se uma sinfonia de tosses secas que ecoa pelos corredores da Caixa Nacional. Com o cabide de soro na mão, pacientes caminham vagarosamente pelos corredores, como em um fluxo melancólico. Domingo Ari, 48 anos, mineiro desde os 15, é um deles. Sentado sob o sol que banha o pátio do hospital, o rosto cadavérico e as mãos, sem força, largadas sobre os joelhos, ele conta que, aos 10 anos, viu seu pai, também escavador, morrer de silicose. "Dois dos meus quatro filhos trabalham nas minas, e agora sou eu quem está doente", diz, entre um espasmo e outro.

Para o médico Juan Carlos Oporto, do Centro de Saúde Cerro de Prata, que presta atendimento regular e os primeiros socorros a cinco mil trabalhadores do Cerro Rico, a cultura mineira é "autodestrutiva". "Há muita ignorância entre esses homens. Eles trabalham em demasia, bebem muito e não estão preocupados com o futuro. Dos meus pacientes, pelo menos 1.500 já têm silicose", contabiliza.

Outras estimativas de Oporto: ele assina, em média, 12 diagnósticos de silicose por mês; e, todos os anos, perde ao menos 25 pacientes mineiros, que vão a óbito em decorrência do trabalho na mina. Mas há outros dados alarmantes no setor: "20% das pessoas que atendo por mês na clínica (ou seja, aproximadamente 1.000) são menores de idade, alguns com menos de 15 anos", revela o médico.

Segundo ele, o trabalho no Cerro Rico acarreta também uma grande incidência de "doenças de pele, desnutrição, bronquite e problemas nervosos". Isso para não se falar nos acidentes de trabalho. Oporto diz receber pelo menos três pessoas acidentadas diariamente em seu hospital. "É, sem dúvida, uma das piores maneiras de se levar a vida", ele conclui.

As entranhas do Cerro Rico são, talvez, o cenário mais próximo do inferno a ser visto na Terra. Trata-se de um labirinto de corredores estreitos, abafados, úmidos, escuros e lotados de poeira de sílica, que se conectam uns aos outros por meio de buracos e escadas precárias. Ao visitante de primeira viagem, o lugar causa repulsa. Nos trabalhadores, parece injetar o veneno do conformismo.

Em seu interior circulam homens de feições cansadas e olhares vazios, a terra grudada no suor da face, o caminho iluminado pela luz parca dos capacetes. Eles empurram carretas lotadas de pedregulhos, agridem a rocha com suas picaretas e, de vez em quando, ouvem um "bum!", que faz a atmosfera tremer – a explosão de uma carga de dinamite. Não há nada de extraordinário nisso: em Potosi, o explosivo é comprado na rua, sem qualquer restrição. Uma banana de dinamite custa, em média, o equivalente a cinco reais.

Muitos mineiros trabalham em turnos de 24 horas e têm como único alimento as folhas de coca – que, armazenadas por longo tempo nas bochechas, são capazes de diminuir a fome. Tal qual formigas, eles circulam sem parar entre os diversos níveis da mina, até uma profundidade de 1.500 metros. Isso os submete a variações bruscas de clima. Nos corredores bafejados por correntes de ar, a temperatura é de 10 °C. Nas câmaras de trabalho, onde os homens manejam pás e picaretas incessantemente, o calor passa dos 40 °C.

O ar, por sua vez, é turvo, carregado de um rançoso odor metálico. Nesse ambiente, a boca seca, a garganta fica irritada, os olhos ardem. A uma altitude de quatro mil metros, os mineiros têm duas opções: usar máscaras de proteção contra a sílica venenosa, ou abandoná-las e desfrutar a sensação de respirar melhor. Muitos optam pela segunda alternativa. E, dessa forma, tentam seguir a vida.


O mineiro é jovem – menos de 40 anos – mas sua pele denota o desgaste físico que o trabalho acarreta

Sentado ao lado de seus dois irmãos, de 22 e 18 anos, Carmelo Ticona termina mais uma garrafa de cerveja morna. O rosto ossudo, de nariz adunco e olhos avermelhados, exibe uma pele morena, áspera como a terra que a reveste. Na dentadura incompleta ele masca, compulsivamente, resíduos de folhas de coca. Seu universo é a vila de Pailaviri, onde tem sua casa, cheia de construções pobres, erguida ao lado da entrada de uma das minas do Cerro Rico.

É época da festa conhecida como Wilancha. Reunidos em grupos de 10 a 20 pessoas, cerca de 200 mineiros e familiares se preparam para o grande momento do dia: o derramamento de sangue. Cada grupo carrega entre duas e cinco lhamas. A bebedeira é enorme: muita cerveja, singani (aguardente de uva) e Ceibo (bebida com teor alcoólico de 96%).

As crianças brincam, enquanto as mulheres começam a acender fogueiras. Já embriagados, Carmelo e seus companheiros saltam sobre um dos animais (que pesam cerca de 200 kg), sujeitam-no no chão e, com uma faca de cozinha, cortam seu pescoço. O sangue que jorra das artérias abertas é recolhido em pratos de metal e jogado na boca da mina, na parede das casas e, em alguns casos, nos rostos das pessoas. A carne, mais tarde, virará churrasco.

O sacrifício é uma forma de venerar Pacha Mama, a divindade indígena Mãe Terra, e, acima de tudo, apaziguar a sede de uma das figuras mais respeitadas pela cultura mineira: o "Tio" – como é conhecido o diabo que habita o interior do Cerro Rico. "Somos católicos", diz Juan, irmão mais novo de Carmelo. "Mas, dentro da mina, para nós Deus não existe. Por isso homenageamos o Tio, para que ele nos proteja de acidentes e da morte".


Ritual da matança de lhama para a festa conhecida como Wilancha

A figura de tal entidade é, de fato, assustadora. Dezenas de estátuas suas adornam o interior da mina, e seguem o mesmo padrão: feitas de barro no tamanho de um ser humano, elas mostram o "Tio" sentado em um trono, exibindo um falo avantajado e, na cabeça, tétricos chifres de cabra. O rosto tem feição raivosa. Aos pés das imagens os trabalhadores do Cerro Rico deixam folhas de coca, bebidas alcoólicas, cigarros e fotos de mulheres nuas.

Corolário da fé cristã trazida pelos espanhóis à América, a veneração dos mineiros à figura do diabo facilita uma conclusão esclarecedora: a de que, com a alma vendida à prata, só resta a esses homens conformar-se com a vida no inferno. A Bolívia, conforme escreveu Eduardo Galeano, é "vítima de sua própria riqueza".

Cientistas avançam rumo à cura da silicose

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentaram resultados de uma pesquisa que pode abrir caminho para a cura da silicose.

Em um experimento inédito no mundo, eles injetaram células-tronco no pulmão de cinco pessoas acometidas pela doença, e puderam observar: durante certo espaço de tempo, essa intervenção conteve a inflamação nas vias respiratórias dos pacientes.

A pesquisa foi apresentada no 5º Congresso Brasileiro de Células Tronco, realizado na cidade sulina de Gramado. Em entrevista à imprensa, o coordenador do projeto, Marcelo Morales, disse que o método é seguro, mas ainda é cedo para afirmar que esse tipo de tratamento levará à cura da moléstia.

As células-tronco foram retiradas das medulas-ósseas dos próprios pacientes. De acordo com os cientistas, é delas que pode sair a cura para a enfermidade que flagela os mineiros bolivianos – um castigo que não atinge apenas essa população. No Brasil, cerca de seis milhões de brasileiros estão, atualmente, expostos ao pó de sílica, por força de suas atividades profissionais. Não há previsão, porém, para que um eventual tratamento baseado em células-tronco chegue à rede de saúde pública. (M.V.)

Fonte: leiturasdahistoria.uol.com.br