13 de outubro de 2019

A obra missionária no Antigo e Novo Testamentos


A palavra missões vem do verbo latim “mito”, que significa “enviar”. No Novo Testamento a palavra é “aposteilo”, que tem o mesmo significado. Foi somente a partir do século XVI, que a palavra missão começou a ter significado na Igreja.

No Antigo Testamento

“Os profetas foram missionários de Deus. Quase todos eram itinerantes, levando a mensagem de Deus. Alguns saíam do reino do sul para profetizar nas terras do norte (I Reis 13). Outros iam para o estrangeiro, como Elizeu (II Reais 8.7), Jonas (Jonas 1.1-2), Ezequiel (Ezequiel 1.1), Daniel (Daniel 1.6). Também há diversos textos dirigidos às nações pelos profetas de Deus como vemos em Isaias 13.1, ISamuel  23.18, dirigindo-se a Babilônia,  Filistia, Moabe, Etiópia, Egito, Arábia e Tiro. O Profeta Jeremias escreveu para o Egito, Edom, Damasco, Quedar, Hazor, Elão e Outras Nações”.

No Novo Testamento

Em João 3.16, você lê: “Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou seu filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Através deste versículo, conhecemos a preocupação de Deus para com a humanidade decaída e distanciada de si. Razão pela qual enviou Jesus, o seu Filho ao mundo, para uma grande missão, salvar.

A missão de Jesus no mundo foi salvar o homem perdido, leia Lucas 19.10 e João 3.16, diz que Deus deu Jesus ao mundo. O verbo dar foi exatamente o que Deus fez, ofereceu seu Filho Amado para resgatar o homem que havia se afastado completamente Dele. Para se entender missões, é preciso partir deste princípio, que Deus deu seu Filho, e que o Próprio Filho se deu para a salvação dos homens perdidos, se compreendermos isso, podemos então dizer: missão é a obra de Deus, dada à Igreja, que seguindo o exemplo de Cristo, chamando todos ao arrependimento, e ter fé em Cristo, enviando-os a serem discípulos Dele.

E  assim como Jesus foi Enviado de Deus, Ele enviou seus Discípulos. Jesus disse em João 17.18: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”; “assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (João 20.21). Todos os seus discípulos foram enviados,  pois segundo a tradição cristã com base principalmente no historiador Eusébio de Cesárea (cerca de 260 a 340 d.C.) no seu segundo livro da história da igreja, é dito que: João, foi missionário na Ásia. Pedro foi missionário  em Ponto, Galácia,  Bitínia e Capadócia. André foi levar a Palavra de Deus na Cítia. Mateus, em outras nações após ter escrito o evangelho. Bartolomeu  foi missionário na Índia. Tomé foi pregar entre os partos (Irã, Iraque e Paquistão) , e certamente também chegou a Índia. Marcos foi ao  Egito e onde fundou a Igreja de Alexandria. Simão, o Zelote, foi missionário na Pérsia. Tiago, o Grande, na Espanha. Tiago, o Justo, na Arábia. Felipe foi missionário na Frígia.

Clói Marques Pereira - www.missaoaguaviva.com.br


9 de setembro de 2019

10 coisas que todo missionário ama


Hosana Seiffert e Anita Ribeiro

Fizemos uma rápida pesquisa para descobrir 10 coisas que os missionários amam. As respostas revelam um pouco do perfil da maioria dos missionários. Em geral, são pessoas desprendidas, altruistas, aventureiras, interessadas em outras culturas e com facilidade de adaptação.

Imagina morar em uma aldeia distante de um país remoto. Sem igreja, sem shopping, sem televisão. Com internet poucas horas por dia. Sem velhos amigos, sem festas de família, nem aniversário dos primos. Sem arroz com feijão, bife e batata frita… O que para muitos seria um fardo impossível de suportar, para um vocacionado é algo bem próximo à realidade, principalmente se ele estiver em um campo transcultural.

O que o faz se submeter a circunstâncias tão árduas? O que faz um missionário feliz?

Veja 10 coisas que todo missionário ama:

10) “Ganhar chocolate, café, farinha, queijo de minas…”

Ou seja, coisas do Brasil que não tem no campo transcultural. Afinal, saudade de casa faz parte da rotina missionária.

9) “Ouvir alguém falando português”

Chega uma hora que o “se nevasse aqui havia ski?” ou “o A tem som de U?” cansa, e o que o ouvido mais quer é nossa língua materna.

8) “Alguém mandar mensagem no meio do dia (ou da noite) dizendo que está orando por mim!”

 
E quem não gosta de ser lembrado em oração? É cada experiência que Deus fala…

7) “Me sentir parte do povo”

Para isso serve todo o preparo pré-campo, toda a imersão cultural, o aprendizado da língua, e demais esforços do missionário em se contextualizar. E, finalmente, falar como Paulo: "Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele", 1Co 9.19-23.

6) “Receber visita de equipes de viagens de curta duração”

Quem não ama compartilhar com a família e com os amigos suas lutas e conquistas? Ainda por cima receber ajuda para reduzir o peso do trabalho? Especialmente quando essa tropa chega com presentes, abraços, forças renovadas e muita disposição para o trabalho!

5) “Sinal de internet funcionando”

Se você, que tá em casa, gosta do seu sinal de internet, imagina o missionário lá longe que quer notícias da família; ou precisa enviar o informativo para o conselho de missões; ou simplesmente avisar que o conflito aconteceu longe da casa dele e está tudo bem? Internet funcionando é coisa linda de Deus!

4) “Retorno dos intercessores e amigos quando leem os relatórios que envio”

Ninguém merece aquela pessoa que visualiza, mas não responde, né?! Depois de horas preparando aquele informativo maneiro, cheio de fotos e novidades do campo, repleto de desafios e pedidos de oração, e a pessoa nem dá um retorno? Poxa… responde o missionário, irmão…

3) “Receber notícias dos amigos”

Após o missionário ir para o campo, algumas pessoas pensam que ele não está mais interessado na vida dos seus amigos. Nada mais longe da verdade. Quando um amigo conta as últimas novidades, ou fica horas no Skype conversando fiado e dando risada, ou simplesmente manda aquele meme maneiro, faz um bem imenso.

2) “Conhecer novas pessoas, lugares e culturas”

Isso deve ter a ver com o profundo desejo de ver o cumprimento da profecia de João: "Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas. E clamavam em alta voz: A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro”, Ap 7.9,10.

1)  “Fazer a vontade de Deus.”

Em primeiro lugar, disparado, está “fazer a vontade de Deus” ou “viver no centro da vontade de Deus”. Parece mesmo que a obediência em amor é o que move uma vocação missionária. Como disse o apóstolo Paulo, "o meu objetivo é satisfazer àquele que me arregimentou". Como você pode ver, o que faz um missionário feliz são coisas simples. Quem sabe você pode começar a se envolver enviando uma mensagem, depois prestando atenção aos boletins que ele manda (e dando retorno) e quem sabe um dia, se dispõe a ir numa viagem missionária de curta duração? Ah! E quando isso acontecer, não esqueça de levar chocolate, café, farinha e queijo de minas!

Fonte https://amide.org.br/blog/10-coisas-que-todo-missionario-ama/

11 de julho de 2019

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas


(Um texto muito importante. Leia-o)

Por Héber Negrão

O ano de 2019 foi escolhido pela UNESCO para ser comemorado o Ano Internacional das Línguas Indígenas. Segundo a organização, que lançou um site oficial para esta comemoração, cerca de 7 mil línguas são faladas hoje em dia no mundo inteiro e 97% da população mundial fala apenas 4% dessas línguas enquanto que apenas 3% da população mundial são falantes de 96% das línguas existentes. A maior parte destas, são línguas minoritárias e estão desaparecendo em um ritmo alarmante. Em vista disso a UNESCO tem o objetivo de conscientizar o mundo inteiro sobre esta triste realidade focalizando cinco objetivos estratégicos:

1. Aumentar a compreensão, a reconciliação e a cooperação internacional.
2. Criar condições favoráveis para o compartilhamento de conhecimento e para a disseminação de boas práticas com relação às línguas indígenas.
3. Integrar as línguas indígenas na configuração padrão de comunicação.
4. Empoderamento através da capacitação.
5. Crescimento e desenvolvimento através da elaboração de novos conhecimentos.

Como missionário que trabalha com Tradução das Escrituras para uma dessas línguas minoritárias e como membro da Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), uma organização cujo principal foco é tornar as Escrituras compreensíveis para diversas línguas, devo dizer que esta iniciativa me alegrou muito. Diariamente lidamos com a ameaça às línguas indígenas no país e sabemos que as línguas maternas de cada povo não são importantes apenas para comunicação diária. Elas moldam os valores, a maneira de pensar e a forma como um determinado povo vê o mundo. 

Michel Kenmogne, Diretor Executivo do Summer Institute of Linguistics, SIL Internacional, foi convidado pela UNESCO para um pronunciamento na abertura oficial do Ano Internacional das Línguas Indígenas. Em seu discurso ele destacou a forte ênfase que a comunidade global tem dado à perda da biodiversidade no planeta, no entanto, segundo ele, a maior ameaça da humanidade nos dias de hoje é a perda da diversidade linguística no mundo inteiro. Uma vez que as línguas humanas estão fortemente ligadas às emoções e identidade dos povos, a perda linguística vai gerar, necessariamente, uma redução na qualidade da vida humana. “Quando falamos de línguas, não estamos falando de sinais e símbolos, estamos realmente falando de pessoas”, conclui Kenmogne. Kirk Franklin, Diretor Executivo da Aliança Global Wycliffe, vai ainda mais longe. Para ele, a língua de um povo é um “direito fundamental do ser humano e um aspecto essencial do Ser criado à imagem de Deus”.

O Departamento de Assuntos Indígenas e o Departamento de Pesquisas da Associação de Missões Transculturais do Brasil lançaram o Relatório Indígenas do Brasil 2018 com informações atualizadas sobre a atuação missionária entre este segmento no país. No Brasil há cerca de 150 línguas indígenas atualmente e dos 340 povos indígenas presentes no país somente 25 deles têm mais de 5 mil falantes de línguas tradicionais. 



O Relatório 2018 identificou 99 etnias que são consideradas Povos Não Engajados. Cerca de 49 desses povos falam somente o Português, o que já configura uma grande perda linguística em nosso país, confirmando os temores da UNESCO. Aproximadamente 23 povos são bilíngues ou trilíngues e somente 8 ainda falam exclusivamente a língua tradicional. 

Quanto à tradução das Escrituras, o Relatório 2018 aponta que hoje a Bíblia completa está traduzida para 7 línguas indígenas no país, que existem 37 Novos Testamentos traduzidos e apresenta ainda a clara necessidade de tradução para outras 11 línguas. Sobre o tema, Lusineide Moura, Secretária Executiva da ALEM, acertadamente afirma que a igreja brasileira, mais do que qualquer outro segmento da sociedade, “deve estar consciente da sua responsabilidade na preservação dessas línguas e deve ser sua prioridade fazer com que a mensagem do Senhor, chegue a todos os povos em suas diferentes línguas”.

Uma iniciativa que deve ser destacada aqui é a do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI) que, juntamente com organizações parceiras, deram início ao curso de Tradutores Indígenas da Bíblia (TIB). Este curso visa capacitar indígenas para traduzirem as Escrituras em suas próprias línguas. O TIB teve início em 2012 e já está em sua 4ª edição, tendo capacitado aproximadamente 70 indígenas, falantes de 24 línguas. Edson Bakairi, um dos líderes do CONPLEI e coordenador do TIB, entende que a tradução das Escrituras tem sido forte aliada para a preservação das línguas indígenas e imprescindível para a transformação de vidas e para o crescimento de igrejas autóctones.

Outra ferramenta que também pode auxiliar no desenvolvimento de línguas minoritárias é o Guia de Planejamento Para o Futuro da Língua, um método de pesquisa criado por sociolinguistas da SIL Internacional. Ele auxilia comunidades minoritárias a identificarem a vitalidade de sua língua tradicional, a observarem o uso da língua majoritária e a planejarem sobre como querem lidar com ambas as línguas no futuro. Esse método é muito prático, visual e fácil de usar, podendo ser desenvolvido por representantes da própria comunidade. 

Nós temos aplicado o método na comunidade onde trabalhamos e os resultados identificados pelos indígenas a respeito do uso de sua própria língua os tem deixado muito impactados. O Guia já está disponível em português e tem sido ensinado no Brasil, no curso de Fortalecimento das Línguas Minoritárias (FLiM), oferecido pela SIL Brasil. 

Nós, cristãos, temos a tendência de encarar a multiplicação das línguas na planície de Sinear como um castigo em decorrência do orgulho e da desobediência dos homens. Mas “Deus não se enganou quando confundiu as línguas em Babel” afirma Kelly David Smith, Diretor Regional da SIL no Brasil. Mesmo que o homem não tivesse pecado naquele episódio da torre, o crescimento populacional e a dispersão das famílias levaria inevitavelmente à criação de novas línguas faladas. “Nosso Deus é um Deus de unidade e amor, mas ele também valoriza a diversidade”, conclui.

O Criador de todas as pessoas e de todas as línguas escolheu tornar conhecido seu grandioso plano de Salvação através de um livro escrito. Ele próprio se identificou como o verbo encarnado que veio ao mundo para trazer reconciliação entre Deus e os homens. A Palavra veio restaurar uma comunicação que há muito havia sido quebrada; o Logos veio traduzir o ininteligível para que o pecador pudesse encontrar seu Salvador e o Senhor soberano pudesse ser adorado em todas as línguas faladas no mundo.

Héber Negrão, especialista em Etnoartes, é membro da ALEM e da MEIB. Juntamente com sua esposa Sophia e sua filha Thalita compõe a equipe de Tradução Oral das Escrituras para a língua Tembé.

wycliffe.org.br

4 de julho de 2019

O deserto chora...

Uma antiga história do norte da África fala de um beduíno que costumava estender-se no chão e apertar o ouvido contra a areia do deserto. Passava horas escutando a terra. Um missionário, espantado com aquilo, lhe perguntou: “Afinal, o que você faz aí deitado no chão”. O beduíno levantou-se e respondeu: “Amigo, escuto o deserto chorando – ele gostaria tanto de ser um jardim!”.

O deserto do mundo está chorando – ele gostaria tanto de ser um jardim de vida. O deserto da guerra chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de paz. O deserto da fome chora – ele gostaria tanto de ser um jardim cheio de alimento. O deserto da pobreza chora – ele gostaria tanto de ser um jardim em que todos tivessem sustento. O deserto da solidão chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de encontros. O deserto da culpa chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de perdão. O deserto da morte chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de nova vida.

Norbert Lieth (revista Chamada da Meia Noite, pagina 6)

30 de junho de 2019

Renúncia por um sapo

Estava no final do meu plantão quando chegou um paciente muito especial – vou chamá-lo de Cléber! Era um jovem biólogo, muito inteligente e que se expressava muito bem. Trabalhava na região Norte do Mato Grosso, Sul do Amazonas e também Tocantins. Ele estava com uma Leishmaniose na região dorsal há um ano, sem tratamento. Por quê?

Cléber nos disse que não podia parar o que estava fazendo a fim de se tratar. “Mas, o que você estava fazendo?” Eu perguntei.

Cléber estava na mata fechada correndo riscos todos os dias, por sete vezes ficou em situação de grande perigo com onças, sem falar das cobras, aranhas e outros bichos, porque queria cumprir sua missão – descrever um anfíbio transparente que só vive naquela região.

Ao falar do anfíbio (sapo) quase chorava. Falava com tanta empolgação dos sapos cururus da vida, que todos nós do plantão ficamos quietos a ouvir-lhe. Ele disse: “Sem os sapos, a vida humana não existiria na Terra, pois eles, na cadeia alimentar, mantêm o equilíbrio, ou seja, cada sapo cururu come cerca de mil insetos por dia…”

Cléber nem se importou com o que uma leishmaniose não tratada poderia lhe causar daqui há dez ou vinte anos indo para o seu nariz ou orelhas… mas, como disse, “está envolvido nesse trabalho e alguém tem que se arriscar, alguém tem que ir lá e eu tenho esse prazer”.

Cléber se dirigiu a enfermaria para fazer Pentamidina intramuscular para sua leishmaniose nas costas e eu, Dra. Simone, me dirigi a Deus. Fui alcançada por Ele com toda essa história. Saí do plantão lembrando que por muito menos que uma Leishmaniose, estamos desistindo de uma tão grande Obra – a de descrever Cristo, o Senhor, para gente como a gente que também vive nas matas, cercados por todos os perigos, mas principalmente o de perder suas vidas eternamente.

Que Deus me empolgue novamente com Ele e Sua maravilhosa Obra. Que, como Deus, eu valorize o que é eterno, o que vale mais que o mundo inteiro. Que eu fale dEle como Cléber fala do sapo cururu!

Simone Botileiro
Fonte: Novas Tribos do Brasil