11 de julho de 2019

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas


(Um texto muito importante. Leia-o)

Por Héber Negrão

O ano de 2019 foi escolhido pela UNESCO para ser comemorado o Ano Internacional das Línguas Indígenas. Segundo a organização, que lançou um site oficial para esta comemoração, cerca de 7 mil línguas são faladas hoje em dia no mundo inteiro e 97% da população mundial fala apenas 4% dessas línguas enquanto que apenas 3% da população mundial são falantes de 96% das línguas existentes. A maior parte destas, são línguas minoritárias e estão desaparecendo em um ritmo alarmante. Em vista disso a UNESCO tem o objetivo de conscientizar o mundo inteiro sobre esta triste realidade focalizando cinco objetivos estratégicos:

1. Aumentar a compreensão, a reconciliação e a cooperação internacional.
2. Criar condições favoráveis para o compartilhamento de conhecimento e para a disseminação de boas práticas com relação às línguas indígenas.
3. Integrar as línguas indígenas na configuração padrão de comunicação.
4. Empoderamento através da capacitação.
5. Crescimento e desenvolvimento através da elaboração de novos conhecimentos.

Como missionário que trabalha com Tradução das Escrituras para uma dessas línguas minoritárias e como membro da Associação Linguística Evangélica Missionária (ALEM), uma organização cujo principal foco é tornar as Escrituras compreensíveis para diversas línguas, devo dizer que esta iniciativa me alegrou muito. Diariamente lidamos com a ameaça às línguas indígenas no país e sabemos que as línguas maternas de cada povo não são importantes apenas para comunicação diária. Elas moldam os valores, a maneira de pensar e a forma como um determinado povo vê o mundo. 

Michel Kenmogne, Diretor Executivo do Summer Institute of Linguistics, SIL Internacional, foi convidado pela UNESCO para um pronunciamento na abertura oficial do Ano Internacional das Línguas Indígenas. Em seu discurso ele destacou a forte ênfase que a comunidade global tem dado à perda da biodiversidade no planeta, no entanto, segundo ele, a maior ameaça da humanidade nos dias de hoje é a perda da diversidade linguística no mundo inteiro. Uma vez que as línguas humanas estão fortemente ligadas às emoções e identidade dos povos, a perda linguística vai gerar, necessariamente, uma redução na qualidade da vida humana. “Quando falamos de línguas, não estamos falando de sinais e símbolos, estamos realmente falando de pessoas”, conclui Kenmogne. Kirk Franklin, Diretor Executivo da Aliança Global Wycliffe, vai ainda mais longe. Para ele, a língua de um povo é um “direito fundamental do ser humano e um aspecto essencial do Ser criado à imagem de Deus”.

O Departamento de Assuntos Indígenas e o Departamento de Pesquisas da Associação de Missões Transculturais do Brasil lançaram o Relatório Indígenas do Brasil 2018 com informações atualizadas sobre a atuação missionária entre este segmento no país. No Brasil há cerca de 150 línguas indígenas atualmente e dos 340 povos indígenas presentes no país somente 25 deles têm mais de 5 mil falantes de línguas tradicionais. 



O Relatório 2018 identificou 99 etnias que são consideradas Povos Não Engajados. Cerca de 49 desses povos falam somente o Português, o que já configura uma grande perda linguística em nosso país, confirmando os temores da UNESCO. Aproximadamente 23 povos são bilíngues ou trilíngues e somente 8 ainda falam exclusivamente a língua tradicional. 

Quanto à tradução das Escrituras, o Relatório 2018 aponta que hoje a Bíblia completa está traduzida para 7 línguas indígenas no país, que existem 37 Novos Testamentos traduzidos e apresenta ainda a clara necessidade de tradução para outras 11 línguas. Sobre o tema, Lusineide Moura, Secretária Executiva da ALEM, acertadamente afirma que a igreja brasileira, mais do que qualquer outro segmento da sociedade, “deve estar consciente da sua responsabilidade na preservação dessas línguas e deve ser sua prioridade fazer com que a mensagem do Senhor, chegue a todos os povos em suas diferentes línguas”.

Uma iniciativa que deve ser destacada aqui é a do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (CONPLEI) que, juntamente com organizações parceiras, deram início ao curso de Tradutores Indígenas da Bíblia (TIB). Este curso visa capacitar indígenas para traduzirem as Escrituras em suas próprias línguas. O TIB teve início em 2012 e já está em sua 4ª edição, tendo capacitado aproximadamente 70 indígenas, falantes de 24 línguas. Edson Bakairi, um dos líderes do CONPLEI e coordenador do TIB, entende que a tradução das Escrituras tem sido forte aliada para a preservação das línguas indígenas e imprescindível para a transformação de vidas e para o crescimento de igrejas autóctones.

Outra ferramenta que também pode auxiliar no desenvolvimento de línguas minoritárias é o Guia de Planejamento Para o Futuro da Língua, um método de pesquisa criado por sociolinguistas da SIL Internacional. Ele auxilia comunidades minoritárias a identificarem a vitalidade de sua língua tradicional, a observarem o uso da língua majoritária e a planejarem sobre como querem lidar com ambas as línguas no futuro. Esse método é muito prático, visual e fácil de usar, podendo ser desenvolvido por representantes da própria comunidade. 

Nós temos aplicado o método na comunidade onde trabalhamos e os resultados identificados pelos indígenas a respeito do uso de sua própria língua os tem deixado muito impactados. O Guia já está disponível em português e tem sido ensinado no Brasil, no curso de Fortalecimento das Línguas Minoritárias (FLiM), oferecido pela SIL Brasil. 

Nós, cristãos, temos a tendência de encarar a multiplicação das línguas na planície de Sinear como um castigo em decorrência do orgulho e da desobediência dos homens. Mas “Deus não se enganou quando confundiu as línguas em Babel” afirma Kelly David Smith, Diretor Regional da SIL no Brasil. Mesmo que o homem não tivesse pecado naquele episódio da torre, o crescimento populacional e a dispersão das famílias levaria inevitavelmente à criação de novas línguas faladas. “Nosso Deus é um Deus de unidade e amor, mas ele também valoriza a diversidade”, conclui.

O Criador de todas as pessoas e de todas as línguas escolheu tornar conhecido seu grandioso plano de Salvação através de um livro escrito. Ele próprio se identificou como o verbo encarnado que veio ao mundo para trazer reconciliação entre Deus e os homens. A Palavra veio restaurar uma comunicação que há muito havia sido quebrada; o Logos veio traduzir o ininteligível para que o pecador pudesse encontrar seu Salvador e o Senhor soberano pudesse ser adorado em todas as línguas faladas no mundo.

Héber Negrão, especialista em Etnoartes, é membro da ALEM e da MEIB. Juntamente com sua esposa Sophia e sua filha Thalita compõe a equipe de Tradução Oral das Escrituras para a língua Tembé.

wycliffe.org.br

4 de julho de 2019

O deserto chora...

Uma antiga história do norte da África fala de um beduíno que costumava estender-se no chão e apertar o ouvido contra a areia do deserto. Passava horas escutando a terra. Um missionário, espantado com aquilo, lhe perguntou: “Afinal, o que você faz aí deitado no chão”. O beduíno levantou-se e respondeu: “Amigo, escuto o deserto chorando – ele gostaria tanto de ser um jardim!”.

O deserto do mundo está chorando – ele gostaria tanto de ser um jardim de vida. O deserto da guerra chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de paz. O deserto da fome chora – ele gostaria tanto de ser um jardim cheio de alimento. O deserto da pobreza chora – ele gostaria tanto de ser um jardim em que todos tivessem sustento. O deserto da solidão chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de encontros. O deserto da culpa chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de perdão. O deserto da morte chora – ele gostaria tanto de ser um jardim de nova vida.

Norbert Lieth (revista Chamada da Meia Noite, pagina 6)

30 de junho de 2019

Renúncia por um sapo

Estava no final do meu plantão quando chegou um paciente muito especial – vou chamá-lo de Cléber! Era um jovem biólogo, muito inteligente e que se expressava muito bem. Trabalhava na região Norte do Mato Grosso, Sul do Amazonas e também Tocantins. Ele estava com uma Leishmaniose na região dorsal há um ano, sem tratamento. Por quê?

Cléber nos disse que não podia parar o que estava fazendo a fim de se tratar. “Mas, o que você estava fazendo?” Eu perguntei.

Cléber estava na mata fechada correndo riscos todos os dias, por sete vezes ficou em situação de grande perigo com onças, sem falar das cobras, aranhas e outros bichos, porque queria cumprir sua missão – descrever um anfíbio transparente que só vive naquela região.

Ao falar do anfíbio (sapo) quase chorava. Falava com tanta empolgação dos sapos cururus da vida, que todos nós do plantão ficamos quietos a ouvir-lhe. Ele disse: “Sem os sapos, a vida humana não existiria na Terra, pois eles, na cadeia alimentar, mantêm o equilíbrio, ou seja, cada sapo cururu come cerca de mil insetos por dia…”

Cléber nem se importou com o que uma leishmaniose não tratada poderia lhe causar daqui há dez ou vinte anos indo para o seu nariz ou orelhas… mas, como disse, “está envolvido nesse trabalho e alguém tem que se arriscar, alguém tem que ir lá e eu tenho esse prazer”.

Cléber se dirigiu a enfermaria para fazer Pentamidina intramuscular para sua leishmaniose nas costas e eu, Dra. Simone, me dirigi a Deus. Fui alcançada por Ele com toda essa história. Saí do plantão lembrando que por muito menos que uma Leishmaniose, estamos desistindo de uma tão grande Obra – a de descrever Cristo, o Senhor, para gente como a gente que também vive nas matas, cercados por todos os perigos, mas principalmente o de perder suas vidas eternamente.

Que Deus me empolgue novamente com Ele e Sua maravilhosa Obra. Que, como Deus, eu valorize o que é eterno, o que vale mais que o mundo inteiro. Que eu fale dEle como Cléber fala do sapo cururu!

Simone Botileiro
Fonte: Novas Tribos do Brasil

4 de junho de 2019

Missão Evangélica Betânia

Cresci lendo "A Mensagem da Cruz" e os excelentes livros da Betânia. Agora achei esse vídeo que conta a história dessa inesquecível Missão evangelizadora que compartilho com você!



https://www.mensagemdacruz.online/
https://www.betania.com.br/



20 de maio de 2019

Reparar com ouro

...Se houve um reencontro das crianças com suas mães, não sabemos. Mas Deus está trabalhando com a Coreia do Norte, como o ourives trabalha com o ouro.

As perseguições nos levam  a refletir sobre as nossas próprias provas - por quais motivos estamos desanimando em nossa fé no Senhor?

Cristã relata como é viver no país que ocupa a 1ª posição em Perseguição Religiosa.

Cristãos coreanos, todos os dias, enfrentam terríveis circunstâncias por seguirem a Jesus. Com coragem e fé eles procuram viver cada dia para honrar a Deus. O coração da Coreia do Norte está sendo reparado.

"Um dia antes de sairmos para fazer uma série de entrevistas com os norte-coreanos, na reunião de oração com vários membros da Portas Abertas Internacional foi lido o texto bíblico de 2 Coríntios 4.7-12", relata um dos colaboradores da Portas Abertas. "Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida.

"A líder da reunião explicou como ela havia passado por um momento muito difícil e como este texto tinha falado ao seu coração. Ela compartilhou conosco sobre como ficara perplexa com as tragédias que ocorreram em seus arredores, sem ser levada pelo desânimo. Uma amiga dela falecera de repente o que a fez clamar a Deus: "Isso não pode ser o fim de sua história!" Sentindo-se aflita em todos os sentidos, Deus não permitira que ela fosse esmagada. Depois ela nos deu um cartão com uma foto. A imagem mostrava uma tigela bonita e, em seguida, ela explicou o termo japonês "kintsukuroi", que significa: "reparar com ouro". Esta é a arte de reparar a cerâmica quebrada com ouro ou prata laca. A peça ganha um toque único em sua imagem e torna-se mais bonita e por isso, mais valorizada. A líder fechou a pregação dizendo: "Talvez este devocional não pareça útil para você agora; mas talvez você possa usá-lo no futuro.

"No dia seguinte conhecemos uma mulher cujo testemunho mexeu com nosso espírito e nos fez lembrar do kintsukuroi. De alguma forma, a sua história se assemelha à de sua pátria. Ela também fora quebrada muitas vezes. Ela precisou viver nas ruas para fugir de seu marido abusivo. Fugiu para a China, foi presa, enviada de volta e severamente torturada em uma prisão norte-coreana. Em sua cela, uma cristã lhe permitiu descansar no seu colo, orou por ela e procurou aliviar sua dor.

Depois de liberta da prisão, essa mulher engravidou de seu marido e veio dar à luz ao seu bebê numa estação de trem em uma noite muito fria de inverno. Mãe e filha viveram nas ruas por dois anos. Sua filha costumava acordá-la, apontando para o céu, dizendo: ‘Mãe, é um céu azul um novo dia?’. A mãe odiava quando ela fazia isso. Pois era mais um dia de sofrimento e miséria. Não aguentando mais, essa mulher tão sofredora decidiu fugir mais uma vez para a China, desta vez com outras três mães sem-teto e seus filhos, todos com idade inferior a três anos. Cada uma delas levou consigo veneno e ganchos de pescar para cometer suicídio, caso fosse necessário. O grupo chegou ao outro lado do rio com sucesso, mas foi interrompido pela polícia chinesa. No entanto, não foram presos. A polícia chamou dois táxis: um para as mulheres, e um para as crianças.

Neste ponto da história, ficamos paralisados e pedindo a Deus: "Por favor, que não seja verdade, que não seja verdade... ‘Mas era verdade. As mães foram separadas de seus filhos e nunca ouviram deles novamente. As próprias mulheres também foram vendidas. ‘Todas as pessoas da aldeia vieram para olhar para nós. Nós fomos leiloadas como gado. Eu nunca me senti tão humilhada. Eu fui comprada por um pouco menos de mil dólares por um homem chinês e seu pai. Eles abusaram de mim e me estupravam diariamente, até que eu escapei de sua fazenda pelo orifício abaixo de um vaso sanitário.

"Nossa entrevistada chegou à Coreia do Sul com a ajuda de cristãos e até mesmo alguns policiais chineses. Ela agora vive para a glória de Deus e crê firmemente que Deus um dia vai reuni-la com sua filha de 11 anos.

"No caminho de volta ao aeroporto, eu estava oprimida pela tristeza. Continuei a ter essa visão de um homem quebrando meu coração com uma vara. Eu me perguntava como seria voltar para a minha família e como explicar que eu voltei com o coração partido. E então Deus trouxe de volta a palavra "kintsukuroi '- reparar com ouro. De repente, percebi que Deus havia de reparar o meu coração com ouro. Mas Deus não iria somente trabalhar na minha restauração. Deus está reparando o coração da Coreia do Norte. Não com feno, madeira ou argila, mas com ouro, para assim, torná-lo mais bonito do que era antes", completou a irmã.

Estes cristãos são firmes em sua fé. Sua força é encontrada no Senhor, tanto que eles estão dispostos a sofrer e morrer por Seu Nome. Para esses seguidores de Cristo, a morte é apenas o fim do começo.

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